
Uma parcela minoritária dos eleitores gaúchos acompanha o horário eleitoral gratuito. Na pesquisa de setembro realizada pelo IPO, apenas 30,9% afirmaram ter assistido ou ouvido algum programa dos candidatos ao Governo do Estado, enquanto 69,1% disseram não ter acompanhado nenhum programa.
O dado poderia se tratar apenas de audiência, mas ajuda a refletir sobre algo maior, o cansaço do cidadão diante da política.
A fadiga social aparece quando a população, exposta continuamente a conflitos políticos, crises institucionais, denúncias de corrupção, polarização, desinformação e excesso de conteúdo, passa a desenvolver uma espécie de saturação. Não significa que o eleitor deixou de se importar com política. Muitas vezes, significa apenas que escolhe se afastar de parte desse conteúdo.
Os dados do IPO ajudam a mostrar quem está mais próximo ou distante do horário eleitoral. Entre os eleitores com mais de 60 anos, 41,5% acompanharam os programas pela televisão, rádio ou pelos dois meios. Entre os jovens de 16 a 24 anos, foram 25,0%. Na faixa de 25 a 34 anos, apenas 21,2%.
O posicionamento político também faz diferença. Entre os eleitores mais à esquerda, 43,8% tiveram algum contato com os programas. Entre os lulistas, foram 40,3%. Já entre os independentes, que não se identificam nem com Lula nem com Bolsonaro, apenas 22,1% acompanharam o horário eleitoral, sendo que este é o eleitor que irá decidir a eleição estadual e nacional e que mostra mais propensão a abstenção ou em votar branco ou nulo.
É sabido que hoje, a informação política chega por muitos caminhos. Além do programa eleitoral em bloco, existem as inserções que aparecem durante a programação de rádio e televisão, além das redes sociais, dos aplicativos de mensagem, dos influenciadores, dos portais de notícias e das conversas do cotidiano.
Esses canais não substituem uns aos outros. Muitas vezes alcançam públicos diferentes, embora exista sobreposição entre eles. O eleitor que não quer assistir a um bloco de propaganda pode ser impactado por uma inserção de 30 segundos, por um vídeo curto nas redes ou por uma mensagem recebida no celular.
Por isso, o dado sobre o baixo acompanhamento do horário eleitoral não deve ser interpretado apenas pela falta de interesse pela eleição. Ele também revela uma mudança na forma de consumir política.
Também se verifica que o componente de cansaço está presente em todos os canais. O cidadão acompanha conflitos entre os Poderes, escândalos sucessivos, denúncias e disputas políticas que parecem não terminar. Em algum momento, simplesmente muda de canal, fecha a notícia ou escolhe assistir a outra coisa, especialmente séries na televisão por demanda, música ou reels nas redes sociais.
O desafio da comunicação política, portanto, deixou de ser apenas alcançar o eleitor. É conseguir fazer com que ele pare, escute e encontre algum sentido naquela mensagem. O problema, portanto, não é apenas de audiência, é de atenção.
A política continua falando, mas disputa espaço com uma sociedade com fadiga social, sobrecarregada por informação, conflitos, descrença e estímulos permanentes.
O desafio das campanhas não é simplesmente aparecer mais. É voltar a produzir mensagens que façam sentido para um eleitor que aprendeu a escolher o que merece sua atenção.


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