
Falo com Simone de Beauvoir – filósofa, escritora e feminista – 1908/1986.
Simone você foi uma das primeiras pessoas a levantar a bandeira do feminismo, defendendo os direitos das mulheres no mundo inteiro. Inicialmente, vamos lembrar uma definição sua que ficou famosa sobre o que é a mulher no livro ‘O Segundo Sexo’: “Ninguém nasce mulher: se torna mulher.”
– Qual o papel da mulher na história da humanidade?
“A humanidade é masculina e o homem define a mulher, não em si, mas relativamente a ele; ela não é considerada um ser autônomo.”
– Como a mulher pode superar essa barreira que separa homens e mulheres?
“É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta.”
– Como você enxerga o casamento na sociedade burguesa?
“Entre as que se vendem pela prostituição e as que se vendem pelo casamento, a única diferença consiste no preço e na duração do contrato.”
– O casamento tem alguma utilidade?
“Não são as pessoas que são responsáveis pela falha no casamento, é a própria instituição que é pervertida desde a origem.”
– Deus e a religião para você?
“Eu passava muito bem sem Deus e, se utilizava o seu nome, era para designar um vazio que tinha, a meus olhos, o clarão da plenitude.”
– Como você enxerga o mundo em que vivemos?
“Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez.”
– Quem é perigoso?
“O homem sério é perigoso, pode transformar-se em tirano.”
– Ser livre?
“Querer ser livre é também querer livres os outros.”
– A importância da liberdade?
“Que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância, já que viver é ser livre.”
– E a cultura para o povo?
“É preciso erguer o povo à altura da cultura e não rebaixar a cultura ao nível do povo
– Para encerrar, o que é viver?
– “Viver é envelhecer, nada mais.”


*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial