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Faz de conta que ninguém disse o que disse

“Desserviço Duplamente inqualificável o MEC distribuir livro didático que admite erro de português e se recusar a recolhê-lo. Vai contra a necessidade crucial de …

Desserviço

Duplamente inqualificável o MEC distribuir livro didático que admite erro de português e se recusar a recolhê-lo. Vai contra a necessidade crucial de se melhorar a qualidade do ensino público básico. Por incrível que pareça, o ministério, ao contrário, contribui para degradar o próprio ensino.” (Opinião, O Globo, 17.05.2011).

Há muito tempo, ao terminar a leitura dominical do Jornal do Brasil, fiquei matutando, como jornalista, a coisa esquisita daquele jornal publicar um editorial extremamente agressivo contra o jornalista Roberto Marinho sem alegar um motivo factual.

Certa vez, perguntei ao jornalista amigo Léo Schlafman qual a função dele no JB, o qual sintetizou função e verdade:

– “Sou a voz do dono”. Léo era editorialista.

Naquele caso do JB, inda que a dona fosse a Condessa Pereira Carneiro, “a voz do dono” era a do seu genro, Nascimento Brito, presidente do conglomerado e inclusive das emissoras de rádio.

Minha perplexidade referia-se ao fato, não da agressão, mas da acusação ao Roberto Marinho sem nenhum motivo explícito, o editorial era uma mistura de acusações, mas sem apontar nenhum fato. Tive a impressão de que ele era acusado de haver nascido.

Na impossibilidade de descobrir o motivo, liguei para o amigo João Carlos Magaldi que eu tinha certeza de já haver lido o editorial, obrigação de quem ocupava a superintendência de Comunicação da Rede Globo.

– Magaldi, o editorial do JB é porque o dr. Roberto roubou o Carlos Lemos da direção das emissoras do JB para dirigir as emissoras da Globo?

– Só isso mesmo. 

Minha coluna anterior aqui, cujo título era Depois do vexame, o silêncio, referia-se ao imbróglio promovido por TVs e por jornais, envolvidos numa falsa acusação de que o livro Por uma vida melhor, de Heloisa Ramos e co-autores, ensina errado.

Quero deixar claro que o alvo da minha coluna não era defender o livro, mas sim a verdade, pois nos contextos dos trechos alegados de ensinar errado, o livro ensina certo. Aceito apostas. 

Estou narrando o caso do JB pois sobrou-me a sensação de que parte dos impropérios contra o livro referia-se ao fato de que mais que 400 mil exemplares foram distribuídos, ou seja, uma ação do governo do PT, cujo Ministério da Educação já se recusou a recolher os exemplares. Oposicionistas precipitados resolveram enfiar a colher na discussão e naufragaram juntos nessa grande farsa do Jornalismo neste século, envolvendo a opinião pública numa opinião tragicômica.

Se a acusação não fosse uma leviandade, como justificar o silêncio de agora? Se o livro, de fato, ensina errado, como justificar o silêncio?

A Procuradora da República Janice Ascari afirmou que estão cometendo “um crime contra os jovens”. E agora, o crime fica por isso mesmo? Já não bastam os consecutivos crimes abafados pelo PT? Mais um, agora?

Acontece que o crime, dessa vez, mudou de lado e foi mexer com um esforço necessário e legítimo de se levar melhores ferramentas a um universo de jovens e adultos que não tiveram oportunidade de sentar nos bancos escolares na idade certa.

Assim como para o PT o mensalão jamais existiu, o nosso Jornalismo está fazendo de conta que nunca afirmou que o tal livro ensina errado… E la nave va, ensinou Fellini. 

Inté.

 

Em seguida, convoco os bem ensinados para a leitura do meu Almanaque do Camaleão.

Amigas e amigos

Face às dificuldades que tive para editar meu livro Almanaque do Camaleão, como sou meio que do ramo, parti para uma edição por conta própria.

O antigo e grande amigo Léo Christiano colocou a editora que tem o seu nome à disposição e ajudou-me em algumas tarefas.

Em outubro do ano passado lancei o livro no megacondomínio onde moro e, apesar de uma inclemente tempestade, o evento terminou sem maiores queixas.

Com a intenção de criar um happening numa estação do metrô carioca, imaginei lançar o livro no Rio logo após o Carnaval. Esperei dois meses por uma resposta do metrô, que nunca veio e então tive que procurar um local apropriado, fora do esquema do trivial livraria/coquetel.

Num talk-show com Paulo José, Rogério Fróes, Amir Haddad do grupo teatral “Tá na rua” e eu mesmo, na Casa de Cultura Laura Alvim, o livro foi oficialmente lançado no Rio.

Alguns problemas já haviam determinado que eu não fosse a São Paulo e nem a Porto Alegre, onde tenho grande quantidade de amigos e acesso a canais de comunicação e resolvi partir para um Delivery Books, com pagamento bancário e remessa pelos Correios.

O teste em Fortaleza, Florianópolis e São Paulo aprovou o sistema e estou, agora, oferecendo o meu Almanaque do Camaleão para Porto Alegre e diversas cidades, inclusive Rio.

Diversos percalços que tornaram este e-mail supertardio são um pedido descarado para contar com a sua inserção neste universo de amigos que já o fizeram.

Eis o caminho das pedras:

No Rio, as duas lojas da Livraria Argumento e sete lojas da Livraria Travessa.

De qualquer lugar do Brasil, inclusive Rio, direto para este autor, através de depósito bancário:

Banco Itaú

Mario C. P. de Almeida

Agência 8599-8

C/Corrente  05862-8

Se o depósito – R$32,00 frete incluso – for feito em outro banco, é preciso colocar o meu CPF  011417327/34.

Você pode fazer a transferência ou depósito pela Internet, se preferir, ou comprar pelo cartão, no site da Livraria Travessa.

Envie pelo email [email protected] o endereço postal para a entrega do exemplar devidamente dedicado.

Em tempo:

 O Almanaque do Camaleão é um misto de aforismas, memórias, crônicas, artigos, microcontos, contos, uma novela, umas charges do Borjalo e uns toques de poesia.

 

Vitrine (comentários sobre a crônica Depois do vexame, o silêncio)

Bom dia Mario. Belo artigo este de hoje e gostosos comentários em Vitrine, Eduardo Coelho, empresário imobiliário, São Paulo.

Prezado colega e amigo Mario, lamento muito, mas muito mesmo, que estejamos todos perdendo o nosso tempo por discussão tão inútil. De alguma forma, todos nós, quando pequenos, aprendemos a falar e a pronunciar impropriedades do vernáculo. Como você e muitos outros fomos alunos do Instituto de Educação Caetano de Campos, que nos corrigiu e nos ensinou as lições básicas e corretas para seguirmos os nossos caminhos para a vida. Agora, cada um é cada um, que fala ou escreve como quer, segundo as circunstâncias. Você, por exemplo, é um ás do idioma escrito: O Carvalhosa tornou-se um mestre do Direito; eu, sem maiores pretensões, sou um modesto engenheiro. Nenhum de nós é capaz de qualquer tentativa de discriminar crianças do ensino básico. Mas todas elas, sem exceção, também têm o direito de aprender a fala e a escrita corretas. Se quiserem prosseguir com seus dialetos, modismos e trejeitos regionais, será ao livre arbítrio de cada um, isento de qualquer punição ou “bulling”.

A única exceção, em minha opinião pessoal, está na tentativa de generalizar expressões tipicamente regionais como discriminatórias ou ofensivas, coisas que não existem ou, ainda, de buscar via MEC, a oficialização contrária às boas regras do nosso idioma, como se fossem vergonha ou até mesmo vedado proibir crianças de tomarem conhecimento de um pouco de erudição, sem prejuízo de suas raízes regionais.  E vamos sair fora dessa, Mario, porque a ninguém aproveita. Abraços, eng. José Carlos Pellegrino, São Paulo.

Autor

Mario de Almeida

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