Toda e qualquer iniciativa, seja da sociedade civil organizada ou do poder público, com objetivo de atuar na defesa, manutenção e fiscalização dos direitos humanos, especialmente em causas que nos são tão essenciais, deve ser muito aplaudida e saudada. Se em pleno 2026 ainda falamos, lamentamos e choramos as mortes de mulheres decorrentes de feminicídios, em números assustadores, um levantamento no Rio Grande do Sul de quem atua efetivamente na proteção e defesa dos direitos das mulheres será muito bem-vindo para fornecer uma real dimensão de com quem podemos contar.
É o que propõe a campanha “Femininos em Ação”, uma ideia da Fundação Gerações e do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio Grande do Sul (CEDM/RS), lançada no dia 10 de setembro e noticiada aqui mesmo neste portal na data. O mapeamento irá identificar organizações, coletivos e projetos da sociedade civil que atuam para promover, proteger e defender os direitos das mulheres no território gaúcho. Os resultados do levantamento, que pretende colher os dados até 10 de outubro, devem ser divulgados em novembro.
À frente do CEDM/RS desde 11 de dezembro do ano passado, está Nathália Fetter, que desde a sua posse não tem poupado esforços para que o conselho cumpra realmente o seu papel, mobilizando as entidades, e na cobrança de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade, autonomia e enfrentamento à violência de gênero. No lançamento da campanha, Nathália disse que o mapeamento fortalece o controle social e aproxima o CEDM dos movimentos de mulheres. “Precisamos conhecer melhor quem são as entidades, como são formadas e como atuam pelos direitos das mulheres”, afirmou.
Conheço a Nathália e coloco muita fé na sua condução, em conjunto com a Fundação Gerações, na elaboração deste diagnóstico da atuação da sociedade civil na promoção, proteção e defesa dos direitos das mulheres no Rio Grande do Sul.
E porque este mapeamento é tão necessário? Além de aproximar as entidades do conselho e, desta maneira, multiplicar a sua capacidade de articulação, ele irá fornecer um retrato fiel de quem é quem no cenário de defesa dos direitos das mulheres.
Nem todas as organizações que dizem atuar neste segmento realmente atuam. Pois é. Nem todas as pessoas indicadas ou eleitas para administrar tais organizações/entidades assumem esta função. Pois é. Às vezes, é só fachada. Ou uma necessidade de inflar egos. Estive na presidência do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão de 2019 a 2022, e pude atestar o que citei acima. Uma corrida desesperada de nomes para a eleição e poucos destes nomes depois na continuação dos trabalhos.
Precisamos de mapeamentos sim. Precisamos de diagnósticos sim. Precisamos de pessoas com comprometimento para atuar com força total na defesa dos nossos direitos sim. Precisamos de toda a força e união para seguir acreditando numa sociedade com direitos iguais para todos, todas e todes e onde nós, mulheres, não sejamos mais mortas por sermos mulheres.


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