Não será uma coluna extensa. Nem tratando de um tema profundo. Nem mesmo de despedida (creio eu). Com o aval do editor deste portal, ficarei sem escrever…. vejamos, uns 30 dias. Sim, nada de soltar foguetes de satisfação ou sair à procura de um substituto. Será uma ausência provisória. Ou melhor, um afastamento programado. Apenas uma coluna de férias. Literalmente. Depois de oito anos sem tirar os pés de Porto Alegre, exceto para ir até Butiá, viagem que não demora mais do que uma hora de ônibus, ou para algumas pautas do Correio do Povo para São Paulo, Rio de Janeiro ou interior do Estado, sempre na corrida, quando ainda era repórter do jornal, finalmente sairei 30 dias em férias remuneradas.
E para curtir totalmente o descanso, decidi tirar férias de tudo. Não que eu esteja incomodada de tudo, até porque incomodada ficava a sua avó. Pelo contrário. Está tudo tão bom, que se melhorar estraga. Mas são necessários uns dias de ócio total. Sem ter que olhar para o relógio e correr para o banho matinal antes de sair para o serviço. Sem almoçar rapidamente porque uma reunião importante espera no início da tarde. Ou ir atropelando ao banco pegar dinheiro para pagar aquela montoeira de contas. Sem torcer para que o lotação das 9h ainda não tenha passado na parada. Simplesmente, acordar, lagartear, dormir de novo, caminhar ao sol, ir ao cinema, até a Cidade Baixa no final da tarde para um chopinho sem compromisso.
O período de ócio não produtivo será produtivo para os itens como cinema, leituras obrigatórias que estão acumuladas, filmes antigos na TV, muita música e quem sabe a retomada dos exercícios físicos. Os 30 dias de descanso serão intensos em afetos com a família, em tardes em casa com a minha filha Gabriela sem nada para fazer, em dias de praia na semana do carnaval aproveitando as descobertas do afilhado Lucas, de um ano.
Sentirei falta deste contato aqui com os meus leitores. E o número é maior do que eu pensava porque recebo, por email, manifestações de pessoas muito gentis que acompanham os meus relatos. Sentirei falta do dia a dia do trabalho. Posso assegurar, sem medo de arrependimento, que é um dos lados mais felizes de qualquer profissão: construir um projeto junto e acreditar nele. Sentirei falta dos colegas que ao longo deste ano me enriqueceram com suas experiências e novidades. Mas faz parte. Sairei de férias como qualquer mortal. Como uma simples mortal.

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