Ele escreveu grandes romances, matou leões na África e viveu amores antológicos. Mas é comum ser lembrado pela melhor definição que existe sobre Paris:
“Se você teve a felicidade de ter vivido nesta cidade quando jovem, então, onde quer que esteja pelo resto da vida, ela estará contigo, pois Paris é uma festa móvel.”
***
Ernest Miller Hemingway soube definir com brilho os prazeres do viajante aventureiro. Alguns de seus romances, contos e obras de não-ficção são clássicos da literatura dos Estados Unidos. Em quase todos, o personagem viaja para lugares distantes ou é um dos protagonistas dos anos dourados em Paris. Ele escreveu que um dos grandes prazeres do viajante – talvez o maior deles – é entender a alma das cidades que visita. E lembrava que algumas das cidades mais interessantes são vielles dames bem vividas, que escondem seus segredos e encantos. E que o viajante que deseja mais do que um passeio turístico precisa de diligência e de tempo para baixar o véu de segredos e belezas.
***
O também norte-americano William Sydney Porter, o escritor que usava o cognome O. Henry, foi um dos que seguiram a cartilha de Hemingway. Ele comprovou que não é necessário ser nativo para desvendar a geografia sentimental de uma grande cidade. Viveu por alguns em New York no início do século 20, escrevendo contos sobre pessoas comuns que encontrava nas ruas e bares.
Seus textos são carregados de encantamento com as belezas da cidade, que a maior parte dos habitantes não percebia, mas que ele descrevia com paixão, faltando apenas nominá-la como a outra festa móvel.
***
Por sua vez, Paris foi abençoada pelo talento dos intelectuais da chamada “Geração Perdida”, que escreveram sobre a cidade que os acolheu como segunda pátria. Como Francis Scott Fitzgerald e o próprio Ernest Hemingway, que produziram textos magistrais, mostrando a melhor maneira de se fazer íntimo de uma cidade.
Felizmente, para a nova geração digital, a mítica “Paris é uma Festa” está ao alcance de alguns cliques. Ou de quem não aprecia enfrentar os aeroportos superlotados e filas imensas diante do Le Deux Magots. Existem incontáveis roteiros virtuais programados para os pouco interessados em bater perna pelos boulevards parisienses.
Alguns seguem as pegadas de Ernest Hemingway, começando na célebre Shakespeare & Co., a livraria onde a editora Sylvia Beach acolhia James Joyce, D.H. Lawrence, Henry Miller e Ezra Pound.
O lugar não tem o mesmo charme dos “Années Folles”, depois que mudou-se para a Rue de la Bûcherie. Mesmo assim, ainda vale uma visita, para quem quer apreciar as prateleiras abarrotadas de velhos livros e o “Poet’s Corner”, uma mesa ao fundo, onde Ernest Hemingway escreveu sua obra-prima, “Adeus às Armas”.
(Segue).
***


*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial