Dizem por aí que inferno astral é o período de 30 dias anterior à data do nascimento de uma pessoa. Uma época em que se esbanja sensibilidade e que se exige mais atenção. E em consequência, qualquer dor é sempre maior, qualquer problema é insolúvel, nunca se encontra o fim do caminho, onde está o pote de ouro, e toda cicatriz custa a sarar. Não é o que ocorre comigo neste inferno astral de 2011. Diferente de anos anteriores, até o dia 9 de junho, quando faço aniversário (anotaram para me felicitar?) e termina o meu inferno astral, tudo corre as mil maravilhas e não tenho absolutamente nada do que reclamar.
Meu cenário está mais para paraíso astral, quando tudo parece funcionar perfeitamente bem, do que para inferno. E aviso que não adianta inveja, mesmo que seja involuntária, e nem olho gordo. Nada vai interferir nesta minha fase cor de rosa da vida. Ando feliz demais, satisfeita demais. Na vida profissional e particular.
Na vida profissional, apesar de um ritmo sempre acelerado, estou fazendo novamente o que gosto: ajudando, com o Jornalismo e a minha comunicação social, a construir um projeto maior de Estado que resultará em benefícios para toda a sociedade gaúcha. Desde o início de fevereiro, abandonei a minha licença-saúde e trabalho no Palácio Piratini, como uma das editoras do portal do governo gaúcho. Ainda que tenha voltado a uma rotina mais desencontrada e que não folgue em todos os finais de semana, sinto-me outra vez importante e uma peça fundamental nos próximos quatro anos do Governo de Tarso Genro.
Devo parecer maluca porque deixei uma vida sossegada, sem hora para dormir e acordar, com tempo livre para atender minha filha Gabriela e cuidar dos meus três netos caninos (Dalai, Gandhi e Ravi), com disposição para pilotar panelas no fogão, com vontade de passear nos shoppings e rata de biblioteca. Uma pessoa totalmente fora da casinha porque preferi retomar o cotidiano do trabalho, do dia-a-dia de jornalista de assessoria, das reuniões longas no início da manhã, dos bafões do final de tarde. Mas são todas estas encrencas que me deixam imensamente feliz.
Mesmo que o retorno à vida profissional tenha reflexos imediatos na minha vida particular, também tenho uma felicidade infindável como mãe, filha, irmã e outras derivações familiares. A explicação é simples. Tenho a melhor filha do mundo e duvido que exista alguma melhor. Aliás, nada é mais confortante do que um abraço carinhoso da Gabriela. Aproveito nos finais de semana os abraços que a minha mãe enfraquecida ainda consegue me dar quando vou visitá-la em Butiá. Ganho abraços telefônicos do meu pai impossibilitado de me visitar em função dos meus horários malucos. E se o carinho humano não fosse suficiente, quando retorno dos meus dias de trabalho quase sou derrubada pelos meus netos caninos de felicidade em me rever.
Não tenho medo de que este momento feliz termine. Entendo que ele está sendo alimentado com novas relações no trabalho e fermentado com momentos de amor junto à família. Não deve ser somente um instante de paraíso astral. É mais do que isso. É quase que um namoro eterno e crescente com a vida. Com meus familiares. Com meus amigos. Com meus cães. Meus livros, CDs e poemas. Meus colegas de trabalho. E, principalmente, com os novos membros da família. Meu sobrinho e afilhado Lucas, com três meses, que volta e meia me faz passar os finais de semana em Butiá; e meu sobrinho-neto João Pedro, que recém completa uma semana.

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