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Garimpeiro de aventuras

“Jack London gostava de esbofetear o mundo e depois encantá-lo com suas estórias. O ardor da bofetada logo passa, mas o charme de suas estórias …

sem título“Jack London gostava de esbofetear o mundo e depois encantá-lo com suas estórias. O ardor da bofetada logo passa, mas o charme de suas estórias durará para sempre”.

Los Angeles Times, 26/11/1916.

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Ele nasceu em San Francisco no dia 12 de janeiro de 1876 e, exatos 17 anos após, alistava-se como grumete no pesqueiro “Sophie Sutherland”. Levava pouca bagagem, mas muitos livros, incluindo  “Anna Karenina” e “Madame Bovary”. A jornada aos mares da China despertou em John Griffith “Jack” London uma irresistível compulsão pelo perigo, que seria constante em toda sua vida. Em 1904, ele publica “O Lobo do Mar”, que define de vez o escritor-aventureiro.

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A infância de Jack London foi marcada por dramas e infortúnios –  a mãe tentou o suicídio, ele foi criado por uma ex-escrava e a casa onde nasceu, na Brannan Street, foi destruida pelo incêndio que devastou a cidade após o grande terremoto de 1906.

Quando desembarca do Sophie Sutherland, passa por diversos

empregos mal-sucedidos – aprendiz de geleiro, operário braçal, vendedor de sucata e pescador de ostras.

Quase no final da vida, em John Barleycorn, ele recordaria sem amargura a dureza daqueles tempos e suas aventuras juvenis,  mas admitia:

“Eu nunca tive infância.

Meus erros estão nos livros que nunca li”.

Com 21 anos, decide reunir-se aos aventureiros que acorrem ao Canadá em busca de ouro, no que ficou conhecido como Klondike Gold Rush. Nos campos de mineração a vida é duríssima e ele contrai escorbuto e outras doenças, mas volta para casa inspirado  e ávido para escrever novas estórias de aventuras.

Revistas populares pagam por suas short-stories e pela primeira vez, ganha dinheiro como escritor. Vende The Call of the Wild para o Evening Post e alcança fama nacional.

Então, a musa aventura o chama novamente – em 1904, o San Francisco Examiner o contrata como correspondente para cobrir     a Guerra Russo-Japonesa. Ele invade áreas em conflito e acaba preso duas vezes – por russos e japoneses.

Impressionado por seus relatos de guerra, o barão da imprensa, William Randolph Hearst, interfere e consegue sua incorporação às tropas russas. Ele agride soldados japoneses que tentavam roubar seu cavalo e volta a ser preso, mas é solto graças à intervenção pessoal do presidente Theodore Roosevelt.

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Jack London foi mestre em um dos mais difíceis gêneros literários, a “short story “. Escreveu e publicou 197 estórias, onde com 7.500 palavras ou menos, consegue gerar uma narrativa e um fluxo incessante de imagens que incendiavam a imaginação de seus leitores. Ernest Hemingway, que trabalhava exaustivamente seus textos, dizia invejar Jack London por produzir páginas e páginas, e conseguir um “esplêndido resultado na primeira tentativa”. Ele foi essencialmente, um homem de ação – no sentido épico da palavra. Sua resistência física era secundada por uma inteligência criadora e um espírito inquieto e perseverante. Morreu com apenas 40 anos, mas alcançou mais do que a soma de vida de muitos homens de seu tempo. Marinheiro de alto mar, caçador-pirata, pescador de ostras, garimpeiro de ouro no Alasca, Jack London fez de sua vida uma narrativa recheada de fascinações.

Mas o que nos impressiona acima de tudo, foi sua determinação   em tornar-se um escritor. Auto-didata, escrevendo sob as mais adversas circunstâncias, vivendo em um ambiente de miséria, soube perseverar e polir um estilo único em seu tempo. Tudo conspirava contra êle – qualquer um com menos fibra, teria desistido. Mas não Jack London, que assim descreveu seu credo:

Eu prefiro ser cinzas do que pó!

Prefiro que minha centelha brilhe como chama do que como uma luz sufocada pela podridão. Eu prefiro ser um meteoro soberbo, com seu fulgor magnífico, do que um planeta sonolento e sem vida. A função própria do homem é viver, não apenas existir.

Não vou disperdiçar meus dias, tentando prolongá-los, vou usar     o meu tempo. “

E ninguém duvida que Jack London fez bom uso de seu tempo.

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Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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