
“Ele esculpia bandeiras de pedra”.
Salvador Dali.
Se chamava Antoni Plàcid Guillem Gaudí Cornet e era antes de tudo um visionário. Foi capaz de criar um estilo arquitetônico único, que só existe na Catalunha. Muito se disse sobre a obra deste catalão àspero e voluntarioso, mas o arquiteto alemão Walter Gropius bem a resumiu:
“A arquitetura de Gaudí aponta para a Eternidade”.
A história da arquitetura na Espanha é uma metáfora de seu conturbado passado – combinando o gótico medieval e cristão com o mudéjar muçulmano e o mourisco de Granada. Então, entra em cena o catalão Antoni Gaudí e sua Renaixensa, o movimento nacionalista e viceralmente anti-castelhano. Ele foi ignorado por 30 ou mais anos por historiadores e arquitetos, ao mesmo tempo em que era reverenciado por quem visitava Barcelona e se deixava encantar com a genialidade transbordante da Sagrada Família e da Casa Milà. Um de seus biógrafos escreveu que Gaudí criou uma complexa geometria que reflete a paisagem da Catalunha. Outros ressaltam que seu estilo reune múltiplas tendências: do vitoriano às massas geométricas em pedra e tijolos, aos ornamentais painéis cerâmicos de cores vivas às estruturas metálicas com motivos florais ou répteis.
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As contradições na vida de Antoni Gaudí se encerraram com sua morte, ao ser atropelado por um prosaico bonde na esquina da Gran Via com o Carrer de Bailén. Vestia-se modestamente e como não aparecia nas fotos dos jornais e evitava os fotógrafos, por pouco não foi enterrado como indigente. No entanto, tres dias depois, Barcelona parou e seus habitantes se vestiram de negro para acompanhar o cortejo fúnebre até a Sagrada Família, onde foi sepultado na cripta do Templo Expiatório, que ele mesmo projetou.
Outra contradição gaudiana se refere à sua saúde. Ele sofria de severo reumatismo que limitava suas atividades físicas. Mesmo assim, durante mais de 40 anos em que trabalhou na Sagrada Família, subia e descia todos os dias as escadas que levam até as altas torres da catedral. Nos anos seguintes à sua morte em 1926, grandes nomes se renderam ao mito Gaudí, com frases lapidares. Como Frank Lloyd Wright:
“Foi um homem do Renascimento”.
Ou Le Corbusier:
“Esta arquitetura é fruto do caráter, do trabalho, da força e da fé de um gênio. De um homem que esculpia pedras com os olhos.”
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