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Goiabice 2

O autor destas mal traçadas é surpreendido, às vezes, pela repercussão de certos assuntos que, sinceramente, não apostava nem meia dúzia de likes. Foi o caso da Goiabice, crônica em que relatei minhas desventuras provocadas por uma distração atávica, que me acompanha desde  sempre. Pela frequência com que acontecem os episódios, a família apelidou o “fenômeno” de goiabice. “O velho está goiaba“, se divertem à custa do idoso aqui, enquanto a neta Livia, 7 anos, prefere dizer que o “vô é ameixa”. 

Relevo essas aleivosias e lembro das gostosas goiabas da minha infância e adolescência, colhidas diretamente no pé, sempre carregado da fruta, na morada dos Dutra. Essa revelação motivou outros relatos, como o do atento N.S, sobre o filho de uma prima, que comia goiabas fora de hora. A mãe teve que sair para um compromisso e avisou o guri: “Tu não arranca uma goiaba, se não vai ter na volta”. Quando voltou, encontrou várias goiabas mordidas, mas que continuavam penduradas na árvore. O filho providenciara uma escada, mordera as goiabas, mas não desobedecera a ordem da mãe…

O mesmo N.S tinha no pátio de casa uma goiabeira que estava sempre tão carregadas que a família não dava conta de colher e consumir. Assim, caiam muitas no chão e goiaba madura ou podre fede demais. Tanto que o gato da casa ia lá, cheirava e começava a cobrir com terra, como se fosse o próprio número 2, conta N.S. 

Essas situações prosaicas nem de perto rivalizam com o que ocorreu com meu pai, o mítico coronel Destro, lá pelos seus 60 e tantos anos, que resolveu apanhar as frutas na parte mais alta da goiabeira, se desequilibrou e quase despencou rumo ao chão, de consequências imprevisíveis. Conseguiu se segurar num dos galhos e depois foi convencido que não tinha mais idade para tais travessuras, 

A todas essas, a questão mais importante que me levou a tratar deste assunto, já no terceiro texto, continua sem resposta: por que a goiaba é associada às distrações em geral? Seriam três os motivos, segundo pesquisei: 

  1. Cor amarelada da goiaba: A cor amarela ou alaranjada da goiaba pode evocar a ideia de envelhecimento, que por sua vez pode ser associada a esquecimento ou perda de memória.
  2. Textura macia e polpa fácil de ser confundida: A textura macia e a polpa da goiaba, que pode se desfazer facilmente, podem sugerir fragilidade e vulnerabilidade, características que podem ser associadas a pessoas consideradas “caducas” ou com certa debilidade mental.
  3. Fruta comum em regiões tropicais: A goiaba é uma fruta bastante comum em regiões tropicais, onde o calor e o clima podem gerar um ambiente propício para o relaxamento e até mesmo para um estado de letargia, o que poderia contribuir para essa associação.
  4. Expressão popular: A associação da goiaba com caduquices pode simplesmente ser resultado de uma expressão popular que se disseminou ao longo do tempo, sem uma razão específica além da repetição e da tradição oral.

Em suma, a associação da goiaba com caduquices parece ser mais uma construção cultural baseada em características simbólicas da fruta e em expressões populares do que em suas propriedades reais.

Sabem o que tudo isso significa? Nem preciso do ChatGPT para responder: nada!

Autor

Flávio Dutra

Flávio Dutra, porto-alegrense desde 1950, é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), com especialização em Jornalismo Empresarial e Comunicação Digital. Em mais de 40 anos de carreira, atuou nos principais jornais e veículos eletrônicos do Rio Grande do Sul e em campanhas políticas. Coordenou coberturas jornalísticas nacionais e internacionais, especialmente na área esportiva, da qual participou por mais de 25 anos. Presidiu a Fundação Cultural Piratini (TVE e FM Cultura), foi secretário de Comunicação do Governo do Estado e da Prefeitura de Porto Alegre, superintendente de Comunicação e Cultura da Assembleia Legislativa do RS e assessor no Senado. Autor dos livros ‘Crônicas da Mesa ao Lado’, ‘A Maldição de Eros e outras histórias’, ‘Quando eu Fiz 69’ e ‘Agora Já Posso Revelar’, integrou a coletânea ‘DezMiolados’ e ‘Todos Por Um’ e foi coautor com Indaiá Dillenburg de ‘Dueto – a dois é sempre melhor’, de ‘Confraria 1523 – uma história de parceria e bom humor’ e de ‘G.E.Tupi – sonhos de guri e outras histórias de Petrópolis’. E-mail para contato: [email protected]
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One Comment

Mario Medaglia

Descrição perfeita da fruta e as consequências do seu cultivo nos quintais da época. Tinha uma goiabeira na nossa casa no Menino Deus

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