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Gosto desta Porto Alegre mais sossegada

Gosto desta Porto Alegre com cara de cidade importante do interior em sábado de quermesse no pátio do colégio principal. Deste jeito que ela …

Gosto desta Porto Alegre com cara de cidade importante do interior em sábado de quermesse no pátio do colégio principal. Deste jeito que ela adquire em janeiro e fevereiro de acolher com carinho e amabilidade os moradores que nela permanecem. Deste jeito de mãe superprotetora que encontra sempre um tempo para ouvir cada um de seus filhos, dos mais endiabrados e travessos aos mais anjinhos. Deste jeito de moderninha sem apresentar os problemas decorrentes do desenvolvimento não planejado: engarrafamentos, atrasos, filas em todos os lugares, transportes coletivos lotados, espaços de lazer congestionados. Sei lá. Porto Alegre me encanta e me conquista mais e mais cada vez que convivo com ela nos primeiros meses do ano.

Não que eu deseje uma cidade mais calma todos os dias. A intranquilidade e a agitação dos outros meses de Porto Alegre me fazem uma cidadã feliz e de bem com a sua capital. Mas se janeiro e fevereiro são, tradicionalmente, meses em que a grande maioria da população migra para outras paisagens em busca de sol, mar, piscina, descanso, ou para cenários de inverno com neve e frio em outros países, a hora é de aproveitar e curtir esta Porto Alegre que surge mais acolhedora e sossegada.

É o momento certo para ir aos cinemas nos shoppings. Sim, porque a cidade não consegue, principalmente nos meses de maior calmaria, desvencilhar-se da insegurança e os interiores dos centros comerciais parecem menos violentos. Pesquisar e aproveitar os dias de ingressos mais baratos, atualizar a lista filmes não vistos, verificar os concorrentes ao Oscar. Já que está no shopping, que tal uma olhada rápida pelas vitrines a fim de garimpar um preço atraente antes da liquidação oficial? E por que não combinar um café com a amiga de todas as horas e encrencas para colocar o assunto em dia e traçar planos futuros?

A lista do supermercado pode ser mais extensa (claro, desde que não estoure o orçamento mensal e você tenha onde guardar mantimentos em casa) porque os corredores estão mais transitáveis e dificilmente veremos as imensas filas nos caixas. Aliás, estas filas desaparecem nos bancos, nos cinemas, nas lojas, nas lotéricas (chega a ser tentador demais fazer uma “fezinha”), nas paradas de ônibus e nos terminais de lotação. Em janeiro e fevereiro, definitivamente, Porto Alegre livra-se das filas. Dá até para variar de restaurante mais popular nos finais de semana que não existe acotovelamento, olho grande esperando desocupar a mesa e estas coisinhas chatas.

Nestes meses iniciais de cada ano, a capital gaúcha expulsa, com delicadeza, alguns habitantes e se dedica aos moradores mais persistentes com a capital ou que não tiveram como, por motivos diversos e muitas vezes, alheios a suas vontades, deixar a cidade. Planeje caminhadas pelos parques nos finais das tardes. Anime-se a bater perna na Redenção no início das manhãs. Chame as amigas e os amigos para saborear aquela salada de frutas com sorvete na Banca 40 do Mercado Público. Ou convide o pessoal para comer uma porção de batatas fritas, bebericar um chope estupidamente gelado e tagarelar nos bares da Cidade Baixa. E depois, no terminar na noite, pegar a última sessão de cinema.

Conheça mais a sua cidade. Descubra pontos nunca antes visitados. Saia da rotina. Arrisque-se a fazer novos roteiros. Trace outros caminhos. Frequente outras tribos. Não deixe os meses de janeiro e fevereiro terminarem sem que você tenha aproveitado as delícias desta metrópole de férias. E já que não deu para Porto Alegrar-se nas eleições, não perca tempo. Porto Alegre-se agora.

 

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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