Esta manhã, uma frente fria tornou-se frígida por ter sido rejeitada por um ciclone extratropical, que estuprou uma aragem na madrugada. Essa intempestiva ocorrência deixou o céu com os pés descobertos, que amanheceu desoutonado e nada celestial. Nuvens com seu guarda-roupa plúmbeo desfilam nos quadrantes como se suas anáguas fossem desaguar antes dessa frase terminar. Os ventos, intensos, sempre soprando como sopranos entre as treliças, prometem ultrajar rajadas de até não sei quantos km/h. Com isso o mar já cogita se deve ou não se agitar, espumando de impaciência diante de molhes e cais. Desabonadas e sem bonança à vista, ondas de até vários metros se erguerão assim como se tivessem altivez pra vergalhão mas vergarão em seguida, arrebentadas logo após a arrebentação. Temperamentais, as temperaturas viverão momentos de indecisão, sem saber se se espicham ou se encolhem nos termômetros. Enquanto isso, os barômetros, na sua costumeira hipertensão, se mostram apreensivos com um sistema frontal que se organiza lá pelos fundos do estado. Por seu lado, as pancadas articulam pancadarias no decorrer do período, que escorre nas vidraças. Nubladas, as noites resfriarão as paisagens, enregelando lugares descampados onde até noturnos de Chopin terão calafrios. Esparsas, outras nuvens carregadonas gotejarão pesadamente, tentando um granizo sobre as lavouras. Se gear nas granjas, isso não vai granjear elogios à nova estação. A partir dos próximos dias, é possível tanto um estripetise de praças tirando véus de neblina quanto o aparecimento de tímidos raios solares, que ensaiarão o verbo lagartear por entre as frestas dos dias. O que provocará, no auge da breve luminosidade, uma revoada de edredons e cachecóis. De resto, a meteorologia continuará firme na sua instabilidade, ou instável na sua firmeza, sei lá. Melhor ficar na casinha. | |
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