Colunas

In Forma (01/07/2026)

A COPA DAS VINGANÇAS HISTÓRICAS

Os jogos da Copa do Mundo nos Estados Unidos estão mostrando a presença de jogadores negros nas principais seleções europeias.

O que era uma exceção no passado, hoje virou quase uma regra. Inglaterra e França, que foram as principais nações a explorar a colonização dos países africanos, há algum tempo têm em suas seleções um grande número de negros, mas nos países nórdicos e principalmente a Alemanha é surpreendente essa presença.

Quem se interessa pela História sabe que, por se atrasar nos processos de formação de seus estados nacionais, Alemanha e Itália, ficaram fora da grande fonte de riquezas que representou para Inglaterra, França e Bélgica a exploração do países asiáticos e africanos.

Inglaterra e França arrancaram a ferro e fogo os povos africanos de sistemas quase tribais em que viviam e os transformaram em cidadãos de segunda categoria em suas economias capitalistas.

Para esses novos europeus, o caminho do esporte e basicamente o futebol nas principais economias da Europa, se tornou a forma de se destacarem e fugirem da pobreza de seus pais e avós.

Hoje seus filhos e netos, usam o mais importante esporte da humanidade para mostrar um talento quase nato e se colocarem entre os mais famosos ídolos de um esporte que os brancos criaram na Inglaterra apenas para o seu deleite, o futebol.

Imagino que essa copa dos Estados Unidos será ganho ainda por um país de maioria branca, mesmo com a presença fundamental de alguns negros, como a França de (Mbappé e Dembélé ) ou o Brasil de negros e mestiços (Vini Júnior, Casemiro e outros), mas cada vez os africanos e asiáticos vão se impor e é muito possível que em 2030, um país da África negra seja o vencedor.

Hoje Cabo Verde e República Democrática do Congo já mostraram como será o futuro do futebol no mundo.

Enquanto isso, a cada nova rodada as seleções que representam países metropolitanos são humilhadas por antigas colônias ou países periféricos na ordem econômica.

Na copa de 86 ficou famoso o gol com “la mano de dios” de Maradona contra os ingleses, vingando a Argentina da humilhação das Malvinas. Agora foi a vez do Paraguai, que no passado foi vítima de um país europeu, a Inglaterra, que armou a Brasil, Argentina e Uruguai na Tríplice Aliança para destruir a experiência nacionalista de Solano Lopes, se vingar de um país que foi sempre parceiro dos ingleses, a Holanda, nas práticas de piratarias navais. O feito foi tão marcante que o dia seguinte virou feriado nacional n Paraguai.

Vamos ver o que nos reservam os próximos jogos da Copa. Se continuam sendo campo de vinganças dos países mais fracos contra seus algozes na vida real e não no futebol ou se a lei do mais forte ainda vai prevalecer.

Autor

Marino Boeira

Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros ‘Raul’, ‘Crime na Madrugada’, ‘De Quatro’, ‘Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda’, ‘Tudo Começou em 1964’, ‘Brizola e Eu’ e ‘Aconteceu em…’, que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]
Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.