DE WATERGATE AO BANCO MASTER
A História está cheia de exemplos de impérios que ruíram por causas pequenas, depois de, durante anos, cometerem faltas muito mais graves e ficaram incólumes.
O caso mais marcante até hoje tem o nome de um prédio em Washington DC : Watergate. No dia 17 de junho de 1972, um grupo de funcionários ligados ao governo de Richard Nixon, foi flagrado pela polícia tentando colocar uma escuta na sede do comitê eleitoral do Partido Democrata, no complexo de prédios chamado Watergate.
Apesar das constantes declarações de Nixon de que seu governo nada tinha a ver com o caso, a pressão da imprensa, principalmente do jornal Washington Post e seus jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, com a ajuda de um informante de dentro da Casa Branca, identificado como Garganta Profunda, levou o Congresso a abrir um processo de impeachment do Presidente.
Em 9 de agosto de 1974, Richard Nixon, para evitar o impeachment, se tornou o primeiro presidente dos Estados Unidos a renunciar ao cargo, depois de assumir a culpa pelo ocorrido. Seria depois perdoado por seu sucessor, Gerald Ford.
Qualquer semelhança entre o que aconteceu nos Estados Unidos e o que está acontecendo hoje no Brasil pode não ser mera coincidência.
O Governo está sendo acusado de favorecer os implicados nos escândalos de corrupção no INSS e Dataprev, que envolvem lobistas e Lulinha, o filho do Presidente, mas Lula nega saber de qualquer coisa.
Negou também conhecer a lobista Roberta Luchsinger e na mesma hora apareceram dezenas de fotos na internet dos dois em poses amigáveis.
Enquanto o Presidente se dedica a construir acordos com dirigentes do Parlamento em busca de apoio político para sua reeleição, o outro poder da República, o Judiciário é palco de uma disputa nada secreta entre dois ministros: André Mendonça e Alexandre Moraes.
O primeiro, Mendonça, tendo nas mãos as investigações sobre o Banco Master e as ligações de Daniel Vorcaro com figuras importantes da República, quer incluir o segundo, Moraes, nesse processo por possível favorecimento a Vorcaro, hoje preso e até agora o maior vilão da história.
Nos Estados Unidos, um pequeno caso de espionagem para fins eleitorais, derrubou o governo. Vamos ver o que acontece no Brasil onde as denúncias são sobre casos mais graves, desde aquele em que, o hoje presidente Lula, teria sido informante da repressão durante a ditadura militar, até as de que, órgãos públicos, desde o governo Bolsonaro até hoje, no governo de Lula, foram transformados em balcões de negócios escusos.
Nos Estados Unidos o caso Watergate se transformou num filme de sucesso mundial em 1976: Todos os Homens do Presidente, dirigido por Alan J. Pakula e estrelado por Robert Redford (Bob Woodward) e Dustin Hoffman (Carl Bernstein).
No Brasil certamente daria, no máxim, um especial da Globo com Tony Ramos no papel do Lula.
Enquanto isso, só nos resta acompanhar os avanços e recuos de Lula e Flávio Bolsonaro na bolsa de apostas das pesquisas eleitorais.


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