BRIZOLA E LULA
Em 1989, nas primeiras eleições diretas para a Presidência, o candidato lógico da esquerda só poderia ser Leonel Brizola. Seu passado como o defensor da legalidade democrática em 1961 e os seus longos anos de exílio, o credenciavam para ser o candidato que iria enfrentar o homem que representava o passado ditatorial e a Rede Globo, Fernando Collor de Melo.
Foi nessa hora que o empresariado paulista, com o apoio de parte da mídia, principalmente a Revista Veja, lançou um líder sindicalista cujo maior mérito seria a sua visão reformista do papel dos trabalhadores, ao contrário dos antigos dirigentes sindicais, comunistas e trabalhistas cujo maior símbolo era Joaquinzão e que defendiam inclusive as greves políticas. Mais de uma dezena de candidatos se apresentaram para o pleito de 1989, fragmentando ainda mais a esquerda e garantindo a presença no segundo turno de Collor e Lula e tirando as chances de Brizola.
Mesmo que tenha fracassado totalmente no debate final com Collor e sendo acusado depois de ser informante do diretor do Dops paulista, Romeu Tuma no livro Assassinato de Reputações, escrito pelo filho dele, o Tuma Junior, Lula continuou sendo a opção eleitoral da esquerda. Brizola, que ficara em terceiro lugar nas eleições de 89, e apoiara Lula no segundo turno, perdera o bonde da história, tendo que se conformar depois em ser apenas o Governador do Rio de Janeiro e não o de Presidente do Brasil como almejava com justiça.
Nas eleições presidenciais seguintes ( 94 e 98), quando Fernando Henrique Cardoso. apoiado no sucesso do Plano Real, teve vitórias avassaladoras, Brizola tendo ficado fora do segundo turno de 94, apoiou Lula e fez mais em 98, quando aceitou ser seu vice. Agora, depois de longos anos, vemos Juliana Brizola, a neta de Brizola disputando o governo do Rio Grande do Sul, encabeçando novamente uma aliança PDT/ PT, abençoada por Lula, que preocupado apenas com suas eleição presidencial decidiu apoiar a pedetista, rifando o candidato natural do partido, Edegar Pretto. Em outubro, vamos poder conferir se essa nova aliança PT/PDT tem algum futuro ou não passa de uma opção eleitoral momentânea.


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