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In Forma (03/12/2025)

O NOSSO POBRE JORNALISMO

Nunca o Jornalismo se tornou tão vazio e pobre de conteúdos importantes como nos dias de hoje. Especialmente aqui no Rio Grande do Sul essa pobreza se tornou mais do que evidente. Outro dia, Flávio Dutra – um dos poucos que ainda tem algo a dizer – viu qualidades em alguns trabalhos jornalísticos inscritos numa promoção da associação de jornalistas, a ARI. É possível que esteja surgindo uma nova geração de profissionais mais qualificada que a atual, mas o que se vê diariamente nos meios de comunicação está longe disso.

A televisão e o rádio por suas origens e pelo condicionamento comercial a que se submetem, sempre foram veículos voltados principalmente para o entretenimento das pessoas e seus poucos espaços voltados para a divulgação e comentários sobre questões mais importantes da vida nacional sempre foram superficiais e ligeiros.

Sobraram os jornais, onde teoricamente existem espaços para a discussão de questões mais importantes da política e da economia. Se no Rio e São Paulo ainda é possível ler análises políticas e econômicas com algum conteúdo importante, mesmo que muitas delas com um viés conservador, aqui no Rio Grande do Sul nem isso existe.

Os dois jornais locais, Zero Hora e Correio, tanto em suas versões tradicionais, como nas eletrônicas, se dedicam a um registro ligeiro dos acontecimentos, ao qual quase nunca falta um viés comercial evidente para qualquer leitor atento.

Enquanto o Correio ainda segue uma linha informativa mais tradicional, Zero Hora optou por um jornalismo de opiniões pessoais de alguns profissionais. O problema é que depois do desaparecimento de Luís Fernando Veríssimo e até mesmo de Ruy Carlos Ostermann, os profissionais que hoje falam sobre política, economia e até mesmo esporte, são de uma pobreza franciscana.

Na mídia nacional, se ainda temos uma Mônica Bergamo na Folha/UOL, o talvez mais importante jornalista político moderno, Janio de Freitas, há muito que perdeu espaço nos meios de comunicação nacional, talvez porque tivesse uma posição de independência que desagradava os donos dos jornais.

Aliás, quando se comenta o jornalismo brasileiro, é preciso lembrar sempre a famosa frase de Mino Carta sobre ele: “O Brasil é o único lugar do mundo onde os jornalistas chamam o patrão de um colega”.

Autor

Marino Boeira

Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros ‘Raul’, ‘Crime na Madrugada’, ‘De Quatro’, ‘Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda’, ‘Tudo Começou em 1964’, ‘Brizola e Eu’ e ‘Aconteceu em…’, que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]
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