A HORA DOS CANDIDATOS MOSTRAR SERVIÇO
Começou a temporada de debates entre os candidatos as próximas eleições e que terá seu ponto mais alto no final de setembro quando tradicionalmente a Rede Globo transmite o debate entre os dois que chegaram ao segundo turno.
Na história das eleições no Brasil, até hoje se diz que o debate final entre Lula e Collor, numa quinta-feira, dia 14 de dezembro de 1989, transmitido por um pool de emissoras, teria sido decisivo para a eleição de Collor no domingo dia 17.
O fraco desempenho de Lula diante de Collor teria sido ainda mais acentuado pela cobertura que o Jornal Nacional da Globo deu na sua edição de sexta-feira, dia 15, antevéspera. das eleições.
No domingo que passou ocorreu o primeiro debate no Estado entre os quatro principais candidatos: Gabriel Souza, Juliana Brizola, Luciano Zucco e Marcelo Maranata na TV Bandeirantes.
A julgar pela mostra, o modelo fechado dos debates e a pobreza de argumentação dos candidatos pouco influenciará na decisão dos eleitores, principalmente nas eleições estaduais.
As questões apresentadas para discussão, na sua maioria, são genéricas, já previamente de conhecimento dos candidatos e as respostas, decoradas pouco têm a ver com a realidade que o candidato eleito terá que enfrentar.
Caso não tivesse já decidido votar nulo nas próximas eleições, eu me inclinaria por um candidato que política e culturalmente se mostrasse superior aos adversários.
Para isso eu proporia que o candidato fosse convidado a falar, por exemplo, sobre a importância de Getúlio Vargas na vida brasileira ou sobre o que ele pensa dos Sertões de Euclides da Cunha.
Eu jamais votaria num candidato que não tivesse lido os Sertões ou conhecesse de Getúlio apenas o fato dele ter sido presidente do Brasil.
As eleições presidenciais certamente teriam pela sua importância um nível de debates num plano mais elevado, embora para o primeiro turno o próprio candidato até agora favorito, Lula da Silva, tenha dado sinais que não estaria disposto a comparecer.
Talvez num segundo turno, num debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, caso as pesquisas eleitorais estejam carretas, haja mais emoções, embora dificilmente possamos ver aqui no Brasil uma reedição daquele famoso debate Kennedy x Nixon, de 1960 ou 1992 entre Clinton e Bush, quando James Carlile fez seu famoso comentário sobre a ignorância do Republicano em relação a uma pergunta do Democrata: “É a economia, estúpido”.
Enquanto isso, os jornalistas que têm uma parte da culpa pela obviedade das questões apresentadas nos debates, poderiam ir se preparando melhor para proporem questões mais interessantes aos candidatos.
Minha sugestão é que assistam o filme Prost x Nixon, dirigido por Ron Howard em 2008, que trata da famosa entrevista que o jornalista britânico David Frost, vivido no cinema por Michael Sheen, fez com o ex-presidente (interpretado magnificamente por Frank Languella) sobre o caso Watergate. Na série de entrevistas, o jornalista foi capaz de levar Nixon a falar sobre tudo o que ele queria esconder.
Como não acredito que façam isso, acho que a maioria dos telespectadores, no horário dis debates, vai trocar de canal na sua televisão.


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