A IMPORTÂNCIA DA IMAGEM
Desde Charles Peirce, Ferdinand Saussure, Roland Barthes e Umberto Eco aprendemos que existe um mundo de significados além da palavra escrita.
Foram principalmente os representantes da escola francesa, como Jean Baudrillard, Dominique Walton, Michel Foucault e Gilles Lipovetsky que levaram essa análise para o campo político. Cada gesto documentado na mídia teria um significado.
Leni Rifenstahl teria percebido isso intuitivamente no seu documentário sobre o nazismo de 1934, o Triunfo da Vontade ao filmar Hitler sempre em planos que ampliavam visualmente o seu tamanho.
Foi Guy Debord quem radicalizou essa visão da política dizendo que vivemos na sociedade do espetáculo. Lembrei desses teóricos examinando alguns personagens conhecidos da política brasileira.
Se alguém ainda hoje quiser caracterizar a submissão política do Brasil ao imperialismo norte-americano basta procurar a foto que Ibrahim Sued (então um simples fotógrafo) fez do político baiano Otávio Mangabeira beijando a mão do general Eisenhower durante uma visita ao Brasil. E o que dizer de Jair Bolsonaro sendo “batizado” no rio Jordão, em Israel?
E, pior é o atual presidente Lula, candidato a reeleição, baixando a cabeça para o papa argentino, achando engraçado quando Obama o ridiculariza diante de outros governantes dizendo que ele era o “cara’ (this is the guy”) e tirando fotos de mãos dadas com o francês Macron,
Mesmo quando essas lições de semiótica ainda não eram muito conhecidas, muitos políticos sabiam da importância da sua imagem e nunca foram surpreendidos por algum fotógrafo mais atento, como aconteceu com Jânio Quadros em Uruguaiana (foto de Erno Schneider de Jânio trocando os pés).


*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial