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In Forma (17/12/2025)

A História do Brasil é fundamentalmente a história da alienação política da classe que mais deveria estar consciente de que, teoricamente, é aquela destinada a comandar o processo de disputa pelo poder, a classe dos trabalhadores.

Desde a colonização, pessoas ou grupos, que dizem falar em  nome da classe trabalhadora, alguns se intitulando de esquerda e outros assumidamente de direita, na realidade ajudam a mantê-la longe das disputas reais pelo poder.

Dentro desse quadro, que não é apenas brasileiro, mas universal, em determinados momentos históricos, grupos de vanguarda em nome da classe trabalhadora conseguiram formular propostas revolucionárias e até realizá-las.

Na Rússia essa vanguarda, liderada especialmente por Lenin, foi vitoriosa e conseguiu construir um estado socialista que perdurou por mais de 70 anos, até ser desestruturado pelas forças do capital.

Cuba ainda resiste, mas a Nicarágua se perdeu. A versão dita democrática de Allende no Chile deu origem a uma das ditaduras mais sanguinárias da América.

Resta a China com o seu sistema misto de socialismo e capitalismo, ainda espera de uma interpretação mais completa de sua importância para o resto do mundo.

No caso brasileiro, um olhar ao passado mostra que em alguns momentos uma aparente divisão entre as classes dominantes criou condições, senão para a conquista de um estado socialista, ao menos para a vitória de um modelo mais nacionalista.

Esses momentos foram 1954, com o suicídio de Vargas e a divulgação da sua Carta Testamento que poderia ter servido como um instrumento de luta; 1961 com a Legalidade comandada por Leonel Brizola e 1964 com as Reformas de Base defendidas por João Goulart.

Depois do silêncio dos 21 anos de ditadura militar, surgiram governos que, cada um com suas características, afastaram cada vez mais os trabalhadores dos centros de decisão.

Hoje o Brasil é o cenário perfeito para caracterizar a alienação política da sua classe trabalhadora. Depois que os governos petistas de Lula e Dilma, durante quase 20 anos, foram incapazes de propor ao menos uma estratégia de ruptura com o atraso econômico e com a dependência ao imperialismo norte-americano, o governo de direita de Jair Bolsonaro só aprofundou esse quadro.

A volta de Lula ao poder em 2022 e a possibilidade de sua reeleição em 2026  indicam que não existe a perspectiva de uma mudança radical de rumos dentro dos partidos políticos atuais.

Para não terminar essa análise sem qualquer ideia de mudança, é preciso dizer que a Revolução Brasileira, do professor Nildo Domingues Ouriques é o único movimento político que ainda defende a perspectiva de uma revolução socialista para o Brasil.

Autor

Marino Boeira

Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros ‘Raul’, ‘Crime na Madrugada’, ‘De Quatro’, ‘Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda’, ‘Tudo Começou em 1964’, ‘Brizola e Eu’ e ‘Aconteceu em…’, que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]
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