ONDE COMEÇA A REVOLUÇÃO
Os teóricos da Revolução Brasileira, meu amigo Nildo Domingos Ouriques à frente, dão pouca importância à conquista de novos adeptos para a causa revolucionária através das artes, principalmente a literatura e o cinema.
Dou meu testemunho pessoal: foram os livros e os filmes que primeiro me mobilizaram para o Socialismo e depois o Comunismo. Marx, Engels e Lenin vierm depois.
Foi o livro Le Thibault, um romance de Roger Martin du Gard, passado durante os anos da Primeira Grande Guerra, que me mostrou o mal que o capitalismo fez para a maioria dos europeus naquele início do século XX. É preciso ver antes o filme Glória Feita de Sangue do Kubrick para entender como funciona o militarismo.
Existem dezenas de livros e filmes que conquistam corações e mentes para o socialismo.
Alguns exemplos de muitos livros (alguns viraram filmes depois): Vinhas da Ira, de John Steinbeck sobre a recessão americana e a pobreza que gerou; Il Gattopardo (O Leopardo) de Giuseppe di Lampedusa, que Visconti transformou num filme memorável, sobre a passagem do domínio da nobreza italiana para a burguesia; A Canção do Carrasco, de Norman Mailler, sobre o punitivismo do sistema carcerário americano; Cristo Recrucificado de Nikos Kazantzakis, que Jules Dassin transformou num filme memorável (Aquele que Deve Morrer) sobre o direito à revolta ou Jorge Semprún com seu livro – a Longa Viagem sobre a luta contra o nazismo.
Só quem viu Guerra e Humanidade de Kobayachi pode entender os conflitos asiáticos, isso sem falar nos brasileiros, desde Jorge Amado com a sua biografia de Prestes; Graciliano Ramos, de Vidas Secas e Memórias do Cárcere e o gaúcho Dionélio Machado, com os Ratos.
Quem leu alguns desses livros, está pronto para organizar depois seu humanismo socialista com Marx, Engels e Lenin.


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