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In Forma (26/11/2025)

A semana começou como a outra tinha terminado, com as notícias sobre o julgamento de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal ocupando os principais espaços na mídia e seus personagens – o todo poderoso ministro Alexandre de Moraes e o ex-presidente Bolsonaro – desempenhando os papeis que a grande mídia reservou para eles.

Um, o Xandão, o justiceiro aplaudido de pé pelo público a cada nova intervenção e o outro, próprio Bolsonaro, como réu de um processo sobre o qual não tinha como interferir,

Como no antigo teatro grego, além dos personagens principais, dois coros de vozes ajudavam a explicar ao público o que estava acontecendo.

Um deles, era formado por um grupo enfurecido de populares que lembrava os crimes do acusado, clamava por justiça e predizia um triste fim para Bolsonaro no fundo de uma prisão.

O outro era constituído por parentes e amigos do acusado, tentando diminuir a importância dos seus mal feitos e pedindo pela sua anistia.

Tudo corria de acordo com o roteiro, quando Bolsonaro subitamente mudou seu discurso e jogou no lixo todo seu passado de político arrogante capaz de menosprezar todas as regras de civilidade e assumiu o papel do pobre diabo

O que era para ser uma tragédia moderna virou uma farsa. Bolsonaro será condenado a muitos anos de prisão, mas o sabor da vitória para Xandão se perdeu.

O Bolsonaro que vai para a cadeia não é mais aquele político provocador que se dizia “imbrochável” e “imorrível”, mas o pobre diabo que, mais do que a repulsa do público, merece apenas a pena dos espectadores.

Quem esperava por um gran finale terá que procurar por maiores emoções nas novelas da Globo ou nos jogos do Inter.

Autor

Marino Boeira

Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros ‘Raul’, ‘Crime na Madrugada’, ‘De Quatro’, ‘Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda’, ‘Tudo Começou em 1964’, ‘Brizola e Eu’ e ‘Aconteceu em…’, que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]
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