A semana começou como a outra tinha terminado, com as notícias sobre o julgamento de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal ocupando os principais espaços na mídia e seus personagens – o todo poderoso ministro Alexandre de Moraes e o ex-presidente Bolsonaro – desempenhando os papeis que a grande mídia reservou para eles.
Um, o Xandão, o justiceiro aplaudido de pé pelo público a cada nova intervenção e o outro, próprio Bolsonaro, como réu de um processo sobre o qual não tinha como interferir,
Como no antigo teatro grego, além dos personagens principais, dois coros de vozes ajudavam a explicar ao público o que estava acontecendo.
Um deles, era formado por um grupo enfurecido de populares que lembrava os crimes do acusado, clamava por justiça e predizia um triste fim para Bolsonaro no fundo de uma prisão.
O outro era constituído por parentes e amigos do acusado, tentando diminuir a importância dos seus mal feitos e pedindo pela sua anistia.
Tudo corria de acordo com o roteiro, quando Bolsonaro subitamente mudou seu discurso e jogou no lixo todo seu passado de político arrogante capaz de menosprezar todas as regras de civilidade e assumiu o papel do pobre diabo
O que era para ser uma tragédia moderna virou uma farsa. Bolsonaro será condenado a muitos anos de prisão, mas o sabor da vitória para Xandão se perdeu.
O Bolsonaro que vai para a cadeia não é mais aquele político provocador que se dizia “imbrochável” e “imorrível”, mas o pobre diabo que, mais do que a repulsa do público, merece apenas a pena dos espectadores.
Quem esperava por um gran finale terá que procurar por maiores emoções nas novelas da Globo ou nos jogos do Inter.


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