O MARKETING ELEITORAL
A disputa eleitoral para a Presidência da República que se aproxima, mais do que em ocasiões anteriores, será uma guerra de marketing.
Qual a imagem que os dois principais candidatos – Lula e Flávio Bolsonaro – vão tentar vender aos seus eleitores? Para o candidato da Direita a tarefa parece um pouco mais simples. Mesmo que seu passado não o recomende, ele vai vender a imagem do político honesto contra o adversário que estaria enredado há muito tempo no uso da máquina do estado para beneficiar a si e aos amigos. Lula, por sua vez, vai tentar colar no adversário essa mesma imagem de desonestidade, lembrando todos os dias a ligação do Flávio com Daniel Vorcaro.
O problema no caso é que no escândalo do Banco Master não tem inocentes de nenhum lado. Afora essa questão, que diz respeito a situações internas, o que desde já se afigura como um tema que vai dominar as ações dos candidatos, são as relações com os Estados Unidos.
Tradicionalmente a Direita sempre se colocou ao lado do governo de Washington levantando a bandeira do anti-comunismo, sobrando para a esquerda o papel de denúncia do imperialismo norte-americano.
Só que essa vez o candidato que representaria teoricamente a esquerda – Lula – já disse mais de uma vez que nunca foi de esquerda – e fez juras de amor eterno a Donald Trump tentando tomar para si a bandeira da Direita. Para seu azar, o presidente dos Estados Unidos lançou logo a seguir o seu já famoso tarifaço e precisou ser apontado por Lula novamente como vilão.
É aí que entram os marqueteiros do Lula tentando criar para ele o papel de defensor da nossa soberania, sem que isso implique, como seria lógico, na denúncia do imperialismo. É a velha estratégia publicitária de vender gato por lebre.
Se os eleitores vão acreditar nisso, é outra questão. Sob o ponto de vista do marketing, a tarefa dos apoiadores de Flávio Bolsonaro também não é das mais fáceis.
Desde os tempos de Carlos Lacerda o discurso da direita era sempre a defesa dos valores democráticos diante do perigo comunista, representado pela União Soviética e a adesão completa ao governo de Washington.
Hoje, o comunismo virou apenas um projeto de poucos e a amizade do presidente dos Estados Unidos é mais um peso do que uma ajuda. As próximas semanas vão mostrar quais dessas estratégias são as melhores.
As discussões sobre os grandes problemas brasileiros ficarão para outra oportunidade.


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