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In Forma (29/07/2026)

O MARKETING ELEITORAL

A disputa eleitoral para a Presidência da República que se aproxima, mais do que em ocasiões anteriores, será uma guerra de marketing.

Qual a imagem que os dois principais candidatos – Lula e Flávio Bolsonaro – vão tentar vender aos seus eleitores? Para o candidato da Direita a tarefa parece um pouco mais simples. Mesmo que seu passado não o recomende, ele vai vender a imagem do político honesto contra o adversário que estaria enredado há muito tempo no uso da máquina do estado para beneficiar a si e aos amigos. Lula, por sua vez, vai tentar colar no adversário essa mesma imagem de desonestidade, lembrando todos os dias a ligação do Flávio com Daniel Vorcaro.

O problema no caso é que no escândalo do Banco Master não tem inocentes de nenhum lado. Afora essa questão, que diz respeito a situações internas, o que desde já se afigura como um tema que vai dominar as ações dos candidatos, são as relações com os Estados Unidos.

Tradicionalmente a Direita sempre se colocou ao lado do governo de Washington levantando a bandeira do anti-comunismo, sobrando para a esquerda o papel de denúncia do imperialismo norte-americano.

Só que essa vez o candidato que representaria teoricamente a esquerda – Lula – já disse mais de uma vez que nunca foi de esquerda – e fez juras de amor eterno a Donald Trump tentando tomar para si a bandeira da Direita. Para  seu azar, o presidente dos Estados Unidos lançou logo a seguir o seu já famoso tarifaço e precisou ser apontado por Lula novamente como vilão.

É aí que entram os marqueteiros do Lula tentando criar para ele o papel de defensor da nossa soberania, sem que isso implique, como seria lógico, na denúncia do imperialismo. É a velha estratégia publicitária de vender gato por lebre.

Se os eleitores vão acreditar nisso, é outra questão. Sob o ponto de vista do marketing, a tarefa dos apoiadores de Flávio Bolsonaro também não é das mais fáceis.

Desde os tempos de Carlos Lacerda o discurso da direita era sempre a defesa dos valores democráticos diante do perigo comunista, representado pela União Soviética e a adesão completa ao governo de Washington.

Hoje, o comunismo virou apenas um projeto de poucos e a amizade do presidente dos Estados Unidos é mais um peso do que uma ajuda. As próximas semanas vão mostrar quais dessas estratégias são as melhores.

As discussões sobre os grandes problemas brasileiros ficarão para outra oportunidade.

Autor

Marino Boeira

Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros ‘Raul’, ‘Crime na Madrugada’, ‘De Quatro’, ‘Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda’, ‘Tudo Começou em 1964’, ‘Brizola e Eu’ e ‘Aconteceu em…’, que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]
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