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In Forma (30/09/2026)

A SANTA E OS PECADORES

A semana que deve terminar no domingo com o primeiro turno das eleições presidenciais, o grande evento do ano, começou mais com jeito de comédia bufa.

Como se quisesse comprovar que aquela velha história de que o Brasil não é um país sério, é verdadeira, a mídia ressuscitou um debate raso sobre a pretensa religiosidade do povo brasileiro.

Primeiro, um jornalista das redes sociais insinuou que se a Direita ganhasse as próximas eleições trataria de trocar a tal padroeira do Brasil – Nossa Senhora Aparecida – por outra santa que não fosse negra como a atual.

Logo o assunto viralizou nas redes sociais, apontando o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, como quem faria essa troca se fosse eleito. O objetivo era óbvio: marcar o candidato como representante evangélico e anti-católico.

Não adiantou ele desmentir essa intenção e pedir que as tais fake-news fossem “derrubadas” das redes sociais, porque no Supremo, o ministro Flávio Dino atuava como linha auxiliar do PT no combate a chamada Direita.

Como tudo pode sempre piorar, o tema provocou mais uma cisão entre os ministros do Supremo, onde parece que todas questões políticas, sociais e agora religiosas devem terminar.

Uns, os lulistas liderados por Flávio Dino pretendiam usar as fake news contra Flávio Bolsonaro, enquanto outros, como Fuks, jogavam no lado oposto.

Tudo é “fake” nessa história. A tal Nossa Senhora não é negra. A pequena imagem de barro que os pescadores encontraram no rio Paraíba em 1717 e que virou padroeira do Brasil em 1929 por ato de Pio Xi, não era de fato uma negra, mas apenas ficara mais escura pelo contato com a água.

Antes dela, durante o Império, o Brasil tinha outro padroeiro, Dom Pedro de Alcântara, trocado solenemente no Rio de Janeiro em 31 de maio de 1931 pela Aparecida, durante uma missa a que até Getúlio Vargas – conhecido como agnóstico – compareceu.

Em 1980, em plena ditadura militar, o presidente Figueiredo decretou que 12 de outubro seria feriado nacional em homenagem à nova padroeira.

Agora a Aparecida volta à evidência para provar várias coisas: primeiro que ter santo padroeiro é coisa de país subdesenvolvido; segundo, que nem a santa padroeira do Brasil é autêntica e finalmente que o povo brasileiro não mereceria ser representado, tanto na Situação como na Oposição, por políticos tão desqualificados culturalmente como acontece hoje.

Autor

Marino Boeira

Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos). É autor dos livros ‘Raul’, ‘Crime na Madrugada’, ‘De Quatro’, ‘Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda’, ‘Tudo Começou em 1964’, ‘Brizola e Eu’ e ‘Aconteceu em…’, que traz crônicas de viagens, publicadas originalmente em Coletiva.net. E-mail para contato: [email protected]
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