A SANTA E OS PECADORES
A semana que deve terminar no domingo com o primeiro turno das eleições presidenciais, o grande evento do ano, começou mais com jeito de comédia bufa.
Como se quisesse comprovar que aquela velha história de que o Brasil não é um país sério, é verdadeira, a mídia ressuscitou um debate raso sobre a pretensa religiosidade do povo brasileiro.
Primeiro, um jornalista das redes sociais insinuou que se a Direita ganhasse as próximas eleições trataria de trocar a tal padroeira do Brasil – Nossa Senhora Aparecida – por outra santa que não fosse negra como a atual.
Logo o assunto viralizou nas redes sociais, apontando o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, como quem faria essa troca se fosse eleito. O objetivo era óbvio: marcar o candidato como representante evangélico e anti-católico.
Não adiantou ele desmentir essa intenção e pedir que as tais fake-news fossem “derrubadas” das redes sociais, porque no Supremo, o ministro Flávio Dino atuava como linha auxiliar do PT no combate a chamada Direita.
Como tudo pode sempre piorar, o tema provocou mais uma cisão entre os ministros do Supremo, onde parece que todas questões políticas, sociais e agora religiosas devem terminar.
Uns, os lulistas liderados por Flávio Dino pretendiam usar as fake news contra Flávio Bolsonaro, enquanto outros, como Fuks, jogavam no lado oposto.
Tudo é “fake” nessa história. A tal Nossa Senhora não é negra. A pequena imagem de barro que os pescadores encontraram no rio Paraíba em 1717 e que virou padroeira do Brasil em 1929 por ato de Pio Xi, não era de fato uma negra, mas apenas ficara mais escura pelo contato com a água.
Antes dela, durante o Império, o Brasil tinha outro padroeiro, Dom Pedro de Alcântara, trocado solenemente no Rio de Janeiro em 31 de maio de 1931 pela Aparecida, durante uma missa a que até Getúlio Vargas – conhecido como agnóstico – compareceu.
Em 1980, em plena ditadura militar, o presidente Figueiredo decretou que 12 de outubro seria feriado nacional em homenagem à nova padroeira.
Agora a Aparecida volta à evidência para provar várias coisas: primeiro que ter santo padroeiro é coisa de país subdesenvolvido; segundo, que nem a santa padroeira do Brasil é autêntica e finalmente que o povo brasileiro não mereceria ser representado, tanto na Situação como na Oposição, por políticos tão desqualificados culturalmente como acontece hoje.


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