Graças às redes sociais, agora todo mundo tem opinião, mas…
– Não acrescenta nada, mas opina sobre tudo;
– Opina sobre tudo, mas ninguém entende o que diz;
– Não conhece nada sobre morto famoso, mas afeta intimidade elogiando a obra dele;
– Não conhece o aniversariante famoso, mas não hesita em postar seus parabéns;
– É um idiota completo, mas nas redes acha que virou filósofo;
– Manda recado em todas as postagens, mas ninguém sabe pra quem é;
– Tropeça no vernáculo, mas exibe conhecimento com frases alheias;
– Conta piada de negrão, de gay, de loira, mas nas redes banca o politicamente correto;
– Garante que não é petista, mas compartilha “Zé Dirceu, guerreiro do povo brasileiro”;
– Diz que é contra a corrupção, mas relativiza e justifica os malfeitos dos governos petistas;
– Garante que não votou no Bolsonaro, mas relativiza e justifica todas as besteiras do presidente;
– Diz que é um democrata, mas pede a volta do AI-5 e o fechamento do Congresso;
– Alardeia que não assiste a Globolixo, mas confessa que chorou com The Voice Kids;
– Critica o baixo nível da TV, mas comenta que torce pelos gaúchos no BBB;
– Prega a paz no futebol, mas é o primeiro a mandar longe o flauteador da rede;
– Denuncia os protestos pelas condenações seletivas, mas se cala quando a seletividade é do seu lado;
– Ninguém se interessa para pelo o que ele escreve, mas se acha o máximo;
– Considera-se um erudito, mas não resiste a um trocadilho infame;
– Considera-se um erudito, mas só posta obviedades;
– Só comete rima rica, mas está convencido de que é o último romântico no Face.;
– Defende a diversidade, mas posta e comenta sempre sobre os mesmos assuntos;
– Denuncia a parcialidade da mídia, mas não se cansa de compartilhar fake news;
– Critica as mensagens odientas, mas faz igual ou pior contra os antagonistas;
– Advoga a favor da tolerância, mas cancela o primeiro que contrariar suas ideias;
– Prega a pluralidade de ideias, mas chama de fascista/comunista quem é contra o que defende;
– Enfim, fervoroso pela coerência, mas não nas redes sociais.
(“As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar danos à coletividade”, Umberto Eco)

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