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Hoje não tem Vitrine. Cronista e alguns comentaristas da coluna anterior ocupam este espaço. Agradeço palavras generosas e respondo a algumas perguntas. Para os …

Hoje não tem Vitrine.

Cronista e alguns comentaristas da coluna anterior ocupam este espaço.

Agradeço palavras generosas e respondo a algumas perguntas.

Para os que não sabem bem o que foi a Legalidade, ótima coluna. Não esquecer é um must. Bj. Vera (Veríssimo) Porto Alegre.

Viva Mário! Tenho curiosidade de ouvir este Hino. Onde conseguir? Belíssima caminhada de vida a sua e agradeço aos Deuses o privilégio de ter vivido nela algumas pontas. Para quando programaremos o Almanaque do Camaleão?  Dentro de 10 dias começo a rodar nova edição do O Cruzeiro do Sul. Vem enriquecido com a coleção dos selos que celebram a FEB e o Dia da Vitória. E mais um documentário magnífico de Jorge Ileli. Fora as devidas correções. Abração e saudades, Léo. (E beijos na neta, nas filhas e na Aurea. Aliás, você é o maior galanteador que conheço. Tem um programa de 6 às 8h na Radio MEC chamado Aurea Música. Nenhuma outra mulher foi tão homenageada.  Viva !!! Léo Christiano Editorial Ltda, Rio de Janeiro.

Respondendo:

Léo amigo, para ouvir o Hino da Legalidade, basta colocar na Internet o nome do hino, escolher uma das gravações e ouvir.  Quanto ao meu livro que você editou, Almanaque do Camaleão, programei um talk-show com Amir Haddad, Paulo José, Rogério Fróes (talvez também Peréio, questão de agenda) e eu mesmo. Na Casa de Cultura Laura Alvim, Ipanema, 9 de maio, a partir das 19 horas, pois, antes do talk-show, autografarei o livro. Grato pela reafirmação de nossa amizade.

Mario de Almeida, enviei para uma colega de universidade, a advogada Tatiana Spagnolo, a coluna que escreveste sobre o Movimento da Legalidade. Observa a mensagem que me enviou. Abraço, Eloí Flores, Porto Alegre.

Eloí, o autor relata com clareza solar os fatos e num enfoque bem definido e conjecturado. Mas fiquei curiosa para saber a temática da peça “O Despacho”.

Parece que essa peça colaborou para o acontecimento…  Abraço, Tatiana, Porto Alegre.

Tatiana:

Desde os tempos em que Jânio Quadros, um professor, elegeu-se vereador por São Paulo, começou a exibir caspas e inventou a “vassoura contra a corrupção”, pressenti que aquele frequentador do mesmo bar da nossa turma, o Harmonia paulistano, era um bufão disposto a conquistar as massas crédulas e carentes de uma liderança política.

Assim, a jato, ele chegou à presidência, depois de mandatos como prefeito, governador de São Paulo e deputado federal pelo Paraná. Ressalte-se que em seus mandatos, além da permanente busca dos refletores, havia muitas virtudes. Político de centro/direita, anticomunista ferrenho, muito de suas ações tinha saldos administrativos positivos, conteúdos progressistas e, até então, isentas de suspeitas de corrupção.

Jânio lançou-se candidato à presidência pelos pequenos PTN e PDC, ganhou adesões de outras pequenas legendas e finalmente da UDN, que viu em Jânio a ansiada oportunidade de chegar ao poder.

A vitória de Jânio foi a semente que deu origem a O Despacho, pois eu não via como um presidente que se supunha popular poderia carregar a cruz de uma parceria com o que havia de mais reacionário no país. Eu sentia que qualquer ato mais ousado encontraria reação nas hostes reacionárias.

E encontraram. Jânio partiu para uma política externa independente e defendeu a autodeterminação dos povos, condenando as intervenções estrangeiras. E teve o desplante de condecorar Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul, o que irritou seus aliados, sobretudo os da UDN.

A quem se supunha estadista, não faltou a miopia reveladora de origens tradicionais e não se pejou de agir como um delegado de costumes, proibindo as rinhas de galo, o uso de biquíni em desfiles de beleza e restringindo as corridas de cavalo somente para os finais de semana.

O Despacho estava centrado no fato de um ex-pobre cidadão ser escolhido candidato à presidência da República. A trajetória começa com Manoel Quincas, o protagonista, servindo-se do frango e de outros pertences de um despacho de macumba, obrigando-o a um solilóquio de desculpas para com São Jorge.

A partir da irreverência, a sorte vira a seu favor. Ganha um cheque por haver caído do trem, outro pelo filho ser a criança mais subnutrida do país, é sorteado no “Seu talão vale milhões” e leva o prêmio máximo no O Céu é o Limite, respondendo sobre Calamidades Brasileiras.

Depois de um mandato como vereador (revelado ao público pelo programa em forma de jornal e distribuído no intervalo do espetáculo), vai para Brasília como deputado federal pelo Rio. E aí começam as evidências de que não há mandato popular que vença as raízes do verdadeiro poder do sistema.

Os projetos de Manoel são sempre rejeitados e ele é acusado, na sua comunidade, de traidor. Ele explica os meandros do poder e é surpreendido como escolhido para ser candidato a presidente. Ele não aceita, esculhamba São Jorge por ser o responsável pela sua trajetória e, como se ouvisse o Santo, manda a mulher arrumar frango, cachaça e outros ingredientes de um despacho, o qual deposita debaixo do outro candidato, colocado sobre uma caixa de madeira (um ator vestido como um bandido do faroeste norte-americano, um revólver em cada mão e lenço no rosto). 

Aí começam disparos, locutores noticiando uma rebelião armada, tiros, relâmpagos… Manoel faz parar tudo, dizendo:

– Ei, São Jorge, essa é a próxima peça.

Dançando e cantando “Cidade Maravilhosa”, os intérpretes vão dizendo o que farão na “próxima peça”.

Em sua carta/renúncia, Jânio comprova que eu estava certo: “Fui vencido pela reação e, assim, deixo o Governo…” 

Inté.

Autor

Mario de Almeida

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