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Jornalismo vive

Este 28 de setembro marca o Dia Mundial do Jornalismo. A ele, o Jornalismo, toda reverência, especialmente nestes tempos em que sofre ameaças políticas, pressões econômicas e um quase sufoco digital provocado pelas ferramentas de inteligência artificial generativa. E a ele, o profundo reconhecimento de que se trata de uma fortaleza na defesa da liberdade e da disseminação da verdade.

O Jornalismo responsável segue sendo vítima de atentados, enquanto agressões e intimidações a profissionais da Comunicação se multipllicam. E ainda há o agravante do infame assédio judicial, em que pessoas, geralmente autoridades, incomodadas com críticas ou denúncias, utilizam-se do Judiciário para tentar constranger e dificultar o exercício da profissão.

É inacreditável, mas nos dias que correm tornou-se comum juiz ignorar o princípio fundamental que sustenta o livre exercício da imprensa: o artigo 5º da Constituição, que assegura o direito de acesso à informação, “resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.

Não custa repetir, o Jornalismo profissional está entre os pilares a sustentar a democracia e a integridade da própria sociedade. E deve ser defendido e preservado neste momento em que sobrevivemos em um mundo em que a falsidade tem vozes poderosas a difundi-la, e em um ambiente agravado pela expansão das ferramentas de inteligência artificial. Mais de um estudo já comprovou que as inovações tecnológicas permitiram em pouco tempo que a IA propagasse notícias falsas em uma escala sem precedentes, em volumes absurdos e apoderando-se irregularmente dos conteúdos produzidos, sem contrapartida quanto aos direitos autorais. O que é grave, muito grave, visto que o exercício profissional do Jornalismo é um trabalho incansável e dispendioso, já que o ato de produzir informações exige recursos, muitos recursos, e investimento.

A rotina diária no campo da Comunicação está impregnada de falsidades, tornando sua prática ainda mais difícil. Não faltam relatos de desinformações e mentiras neste ambiente altamente poluído das redes sociais, onde lamentavelmente segue tendo frutos a polarização doentia e criminosa.

Junto a este cenário, há um mal grassando em nível universal: as pressões sobre as democracias e sobre a liberdade de expressão. Por isso, tornou-se imprescindível no cenário atual zelar para que o verdadeiro jornalismo mantenha-se saudável e ativo, fiscalizando governos e poderes em geral, vivo e forte o suficiente para zelar também pela defesa da democracia, da liberdade de expressão e do direito à informação. É a este Jornalismo, portanto, que devemos reverência e admiração. E apoio, para que não nos falte nunca.

É imprescindível seguir prestigiando os meios de comunicação e os profissionais jornalistas, o que podemos fazer dando preferência e confiança aos que identificamos como respeitáveis e dignos de nossa confiança. São eles, inclusive, que nos apontam as fake news, estas que, como anotou a plataforma Aos Fatos, “zombam da vida alheia, tripudiam sobre os mortos e não se constrangem em produzir conteúdos falsos com o objetivo de conseguir cliques, engajamentos e monetização”.

Hoje e sempre, vale lembrar a máxima legada por um turco, o engenheiro Orkut Buyukkokten, fundador da rede que levou seu nome: Precisamos apoiar a imprensa e os jornalistas. Uma ótima maneira de fazer isso é consumir conteúdo acessando os sites de veículos sérios de notícias. Isso é mais vital do que nunca nesta era em que o volume de fake News não para de aumentar. 

O jornalismo está mudando sua forma de atuar, agora ancorada em ferramentas e tecnologias inexistentes há menos de duas décadas, mas o objetivo segue o mesmo, trazer para a ribalta especialmente o que governos e empresas e entidades se dedicam a esconder. Então, governantes, políticos e líderes empresariais precisam ser permanentemente lembrados de que o jornalismo profissional e independente é que assegura a fortaleza da democracia e a saúde da sociedade. Parece óbvio, mas não custa lembrar sempre que possível. Como neste Dia Mundial do Jornalismo.

Autor

José Vieira da Cunha

José Antonio Vieira da Cunha atuou e dirigiu os principais veículos de Comunicação do Estado, da extinta Folha da Manhã à Coletiva Comunicação e à agência Moove. Entre eles estão a RBS TV, o Coojornal e sua Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre, da qual foi um dos fundadores e seu primeiro presidente, o Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, a Revista Amanhã e o Correio do Povo, onde foi editor e secretário de Redação. Ainda tem duas passagens importantes na área pública: foi secretário de Comunicação do governo do Estado (1987 a 1989) e presidente da TVE (1995 a 1999). Casado há 50 anos com Eliete Vieira da Cunha, é pai de Rodrigo e Bruno e tem cinco netos. E-mail para contato: [email protected]
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