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Jus esperniandi

Quando a gente pensa que a merda é total, ainda não é. (M.A) A idade tirou-me de um mundo que eu conhecia e jogou-me …

Quando a gente pensa que a merda é total, ainda não é.

(M.A)

A idade tirou-me de um mundo que eu conhecia e jogou-me num outro muito estranho.

Percebo que parte dos meus leitores sonha com aquele mundo que me furtaram e esperneiam. Outra parte, jovem e curiosa, pergunta, por exemplo:

– Mas, tio, é verdade que, antigamente, a maioria dos políticos apanhados em maracutaias desaparecia de pura vergonha?

– Até os meados do século passado, o sentido de honra ainda era muito forte. As cidades foram crescendo, a vergonha foi diminuindo e a corrupção chegou onde chegou…

Como saí da militância política, outra parte cobra-me participação.

Sinto, há muito, que não foram apenas os políticos que perderam o pudor, mudou o país onde milhões de cidadãos votam em ladrões confessos e notórios. Este é o país onde políticos desviaram para os próprios bolsos verbas destinadas à compra de ambulâncias. E nem foram linchados!

Este país virou um “E daí?”. Este país não acaba em pizza, continua.

Diz-me o senso de humor que países como o nosso só serão verdadeiras democracias quando, para andar no elevador, tiver que se dar propina ao ascensorista.

Acontece que a política brasileira ficou igual à mesa de pobre: come-se o que se tem para comer (quando tem).

Os estômagos mais sensíveis quando não jejuam, têm que fazer dietas rigorosas.

Enquanto pesquiso algo saudável para agradar o espírito, minha memória tenta lembrar-se do membro de uma “reserva”, em Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, que aprendeu inglês lendo Shakespeare. E de que as pessoas não eram geradas de forma natural, eram “projetadas” para cumprir as mais diversas atividades. Eu, aqui, não me importaria de ser um bobo, desde que projetado como tal. Como não fui, esperneio.

Tenho lido na imprensa afirmações de que a Educação no país vai bem, obrigado.

Achando ser heresia dizer-se que Deus é brasileiro, consulto o IBGE e sou informado que há cerca de 19 milhões de brasileiros analfabetos. Esses nem podem saber o tamanho de sua própria e trágica realidade.

Tento, às vezes, como hoje, quebrar o jejum.

Sento-me à mesa da política, abro o cardápio e o prato do dia, requentado, é a CPMF.

Levanto-me e com a mão direita pressionando as narinas, retiro-me do chiqueiro e, calado, volto a exercer meu direito de espernear.

Inté.

 

Vitrine

Grande abraço. Que sorte fazer parte da tua vida. O poema da Lara …  ufa…  um velho soluço escondido, conhecido, compartilhado.  Ufa…  parece que não, mas ainda dói. Beijo. Nilda Maria, atriz, São Paulo.

Ao pé da coluna

É. A saudade é algo que não estimamos o preço. Permanece a lembrança. Convivemos com ela. Iburã Lima Mathias, Rio.

Autor

Mario de Almeida

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