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Leitores na vitrine

Antes de adentrar no assunto acima, afirmo que, apesar de ter uma nega que não é Teresa, sou Mengo, fiquei muito feliz de o …

Antes de adentrar no assunto acima, afirmo que, apesar de ter uma nega que não é Teresa, sou Mengo, fiquei muito feliz de o Vasco haver retornado à 1ª Divisão e de o Botafogo e Fluminense permanecerem na mesma. Meu espírito desportivo não gasta energia com adversários rivais. Competição, para ter interesse, tem que ter vencedor e vencidos, diria o Conselheiro Acácio, proverbial concessionário do óbvio.

Não me falem de rancores nem de revanches. De papo furado da imprensa basta o meu. Eu, que supunha haver gasto todo o meu ódio com ditadores e seus beleguins, percebo que a Nação trocou assassinos por corruptos. O ódio não é menor, pois o povão, como sempre, é o maior espoliado de todos, espoliado no bolso já quase vazio e espoliado no coração repleto de esperanças.

Defendo-me, como sempre, no doce afeto de centenas de parentes, amigas e amigos. Nunca me despreguei das belas amizades, mesmo quando a vida interrompe o convívio assíduo desses patrícios da minha nação afetiva. Bernardo Lorena, Odécio Vicente de Faria e eu trocamos figurinhas desde os sete anos de idade. Quase todas as dezenas de amizades do ginásio, hoje, em vez dos livros e cadernos, carregam pesadas barrigas. Eusilles Pastore não carrega barriga, mas me carregava no seu carro, nas minhas idas a São Paulo e, até mudar-se para Serra Negra, era o meu hoteleiro naquela capital. Síntese: quem é amiga/amigo e é gente, não se livra de mim. Sou amigo-carrapato.

Guto Graça, hoje publicitário de sucesso, poeta e cronista, conheci em 1991, eu com 60 anos e ele com cerca de 20. Eis o e-mail que enviou sobre minha última coluna aqui:

“Mario, divertido quando sua crônica fica ‘coletiva’, ou melhor usando uma palavra pseudomoderna, ‘interativa’. E a crônica é sempre tão brasileira. Fico pensando nos tempos modernos, onde o voyeurismo assumiu papel nos realities na TV, onde as pessoas têm menos tempo, será que a crônica não é a literatura mais contextualizada que temos? Um abraço”.

Felizmente, não tive a dor de cabeça que redundou no famoso “estalo de Vieira”, mas minha cuca estalou e mandei para o diretor-editor de Coletiva, também um Vieira – José A. Vieira da Cunha – esta consulta:

Vieira amigo: “Esse comentário deu-me a ideia de criar, ao pé de minha coluna, um Espaço Interativo, reservado para a opinião dos leitores, independentemente dos comentários no site. Se você aderir, semana que vem começamos. Abração”.

A resposta inaugura hoje o Espaço:

“Certo, Mario, acho muito oportuno que aproveites estas mensagens que vão diretamente a ti, pois, caso contrário, ficariam só contigo mesmo… Vá em frente, amigo, pois, pelo que vejo, fãs e comentaristas é que não faltam pra ti. Abração.”

A última frase do Iago, na tragédia Otelo é, “de mim, nenhuma palavra a mais”.

A minha é a de um tagarela, a la Veríssimo:

Inté.

Espaço Interativo

Vera Elizabeth Guimarães Gomes, hoje Veríssimo, amor em 1957, virou amiga eterna e deu início ao conto “Resgate” e à história que o mesmo nasceu de uma provocação dela, hoje psicóloga, poeta e tradutora. Quando saiu a última coluna, mandei-a em prima mano:

In prima mano, me imprimiu o cérebro. Tu és doidão mesmo, mas aquele sem drogas. Ficou ainda mais melhor de bom, mas não me refiz ainda do susto.

Vão te mandar e-mails peguntando se tens amigas matusalênicas.

Bj,”.

A jornalista ex-Wanda Klein de casada, cúmplice de revistas e livros de minha responsabilidade, mandou:

“Mario, nos documentos, levei um tempo para trocar de Almeida para Klein – este, nome de guerra, usado desde os tempos da faculdade. O resgate do nome de solteira no RG foi imediato à separação. Curioso como esse procedimento burocrático faz toda a diferença na alma…Bj”.

De Circe Aguiar, professora de Inglês, amiga de fé, tipo irmã bem mais moça:

“Mário, querido, quem nunca viveu momento de resgate quando por mais amorosos que tenham sido os amigos, descobrimos que não há como repartir a dor pra que seja diminuída? É bom ter amigos para nos ajudar a lembrar quem somos. Quando o presente está tão difícil que mal se vislumbra um futuro, resta o passado. Então, que este tenha sido lindo. Estou amando o seu resgate. Bjx de saudades…”

Do eng. José Carlos Pellegrino, amigo ginasiano:

“Grato, Mario. Genial. Aguardo seu livro ansiosamente, de preferência antes de passar para o outro lado… Abs.” (Atenção, Alfredo e Augusto: essa missa não foi encomendada, M).

De Yara, hoje Gama, amiga de há muito, quando solteira e namorada do amigão Gamaliel Gama, ambos ginasianos, ela filha de um militante comunista radical. Estive com Gaminha, o marido, no início do ano, para jantar em São Paulo com mais 15 colegas daqueles tempos em que a cidade iniciava sua escalada para ser uma metrópole:

“Oi Mario, sei q. estou em falta com vc., ainda não respondi seus e-mails, digamos 50% falta de tempo, 50% preguiça, ou melhor, estou sempre esperando uma inspiração para escrever algo mais espirituoso para fazer jus a suas belas crônicas, enquanto a inspiração não vem aí vão meus agradecimentos pelas lindas mensagens”.

Meu irmão Eduardo, o Coelho do mercado imobiliário, diretor de uma das maiores incorporadoras do Brasil, sócio com os filhos de uma consultoria imobiliária, vive hoje em aviões, dando palestras por este país adentro. Eduardo Coelho Pinto de Almeida colocou em livro sua bagagem: “O sucesso em vendas – como vencer no mercado imobiliário”, um Best-seller que nunca entrou (nem saiu) nas livrarias, fenômeno de vendas por mala-direta e também direta nas palestras:

“Mario, bacana este conto. Gostei. Parabéns.”

A vizinha e amiga Ana Maria Ribeiro jogou um confetão no meu ego: “Redundância: mais uma vez, perfeito! Adorei a frase: ‘… percebeu que há momentos que se bastam.’ Bj.”

Amigas, amigos, leitores: essa vitrine é nossa.

Vamos caprichar? Quem sabe não dá um livro?

 

Autor

Mario de Almeida

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