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Limpeza?

Saiu notícia na cidade de Porto Alegre que o Ministério Público está, através de medida liminar, pedindo a retirada de mais de 400 outdoors …

Saiu notícia na cidade de Porto Alegre que o Ministério Público está, através de medida liminar, pedindo a retirada de mais de 400 outdoors da cidade. A medida se deu em função de um incidente ocorrido em 29 de fevereiro, quando um outdoor caiu, matando um cidadão de 77 anos.

Medidas em favor de nosso bem estar são sempre bem-vindas (com o perdão da repetição). Resta saber se esta medida será levada a efeito realmente e se não se trata de fogo de palha, como se diz. Porque não basta entrar com uma liminar, forçar as empresas exibidoras deste tipo de mídia a pagarem alto para se regularizarem (e as grandes empresas de mídia exterior têm poder de fogo para tanto) e continuar tudo como está. O que é típico no Brasil. Vamos aguardar e torcer. É do conhecimento e visão de todos que as estruturas que sustentam boa parte dos outdoors são extremamente precárias e que há risco iminente de fato. Risco de desabamento, risco de ferimento. Desta forma, há que ser saudada a iniciativa do Ministério Público, feita a ressalva de que se espera uma medida profunda de fiscalização e, mais ainda, de normatização definitiva deste setor. E aí entra uma outra questão: a poluição visual.

Além do risco para segurança dos cidadãos da cidade, há um outro dano gigantesco, porém silencioso: o da poluição visual. Os outdoors (não vamos colocar a culpa somente neles, mas em todas as formas de comunicação visual exterior, incluindo também fachadas de prédios(de prédios feios, bem entendido), banners, letreiros e mesmo os prédios como um todo (há prédios horrorosos e outros tantos em péssimo estado de conservação em Porto Alegre)), frontlights e backlights estão claramente em número excessivo em porto Alegre. É cansativo andar pelas ruas de Porto Alegre, tamanho o volume de informação visual.

Fosse só a informação visual, talvez fosse tolerável. Porém, não há um mínimo de padronização visual. Por que em nossa cidade não há uma padronização do que pode e do que não pode em mídia exterior, em banners dependurados nas fachadas das lojas, em faixas estendidas nas ruas, padronização das próprias fachadas dos prédios (um conceito de urbanismo aplicado), bem como um critério de harmonia e bem estar visual? Mais do que isto: fiscalização? Mais do que isto: punição?. É desgastante, em especial quando a esmagadora maioria dos cidadãos de nossa cidade, apesar de obviamente ser fortemente impactada por toda esta poluição, parece não se incomodar, agindo de forma passiva e permitindo que as coisas sigam exatamente como estão.

Além do lixo nas ruas, tema de minha última coluna, há esta poluição visual degradadora do dia a dia. Sem dar-se por conta, os cidadãos vão absorvendo este mundo de informações e aumentando seu estresse. Há ainda a poluição sonora, que abordei anteriormente em outra coluna. Portanto, para que possamos reduzir o nível de estresse dos cidadãos, devemos também (esta não é a única causa de estresse, naturalmente) reduzir os níveis de poluição, em todas as suas áreas: ambiental, visual, sonora, além da poluição entre as relações humanas. Talvez esta iniciativa do Ministério Público seja o primeiro passo. A ver.

Autor

Flavio Paiva

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