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Listas de melhores

Quem estudou no Farroupilha nos anos 70 e 80, conheceu-a. Imagem sisuda, prussiana, nunca a vi rindo. A Anke era o terror dos alunos …

Quem estudou no Farroupilha nos anos 70 e 80, conheceu-a. Imagem sisuda, prussiana, nunca a vi rindo.

A Anke era o terror dos alunos do primeiro ano do segundo grau. Aprendi muito com ela.

Nas aulas de Literatura, apresentou-me para Madame Bovary, A Mulher de Trinta Anos e à estética da literatura. Discorria sobre Flaubert e Balzac com a naturalidade de quem chupa uma laranja.

Embora, por incompetência minha, nunca tenha me capacitado para a crítica literária, levei para a vida uma frase de um dos autores da Anke: “o belo é aquilo que agrada aos sentidos”.

Este tem sido meu lema para gostar ou não de um livro, um filme, um quadro, uma música ou um vinho. É um paradigma que permite gostar de Dolores Duran e da Fernanda Takai, de Vargas Llosa e do Paulo Sant”ana, de um bordeaux envelhecido e de um argentino com tampa sintética. Se agrada, tô dentro.

Foi este o critério que me fez, na coluna de duas semanas atrás, inserir o nome do Miguel Souza Tavares na relação de escritores e compositores de grande destaque da Língua Portuguesa. As reclamações chegaram no imeil e reclamavam desde o fato de eu ter citado um cara que o reclamante desconhecia, até a acusação de que o meu “direitismo” havia excluído Jorge Amado e Erico Veríssimo.

Listas deste tipo – o Inter de todos os tempos, melhores filmes ou das atrizes mais bonitas (para mim, a Kate Winslet entra em primeiro e a Rachel Weisz quase grudada nela) – implicam a perspectiva de injustiça. Mas a patrulha é terrível também.

O melhor romance que li em 2006 foi Equador, obra do Souza Tavares que retrata com realismo impressionante a vida numa colônia portuguesa na África; sensualidade e história sustentam um texto de tirar o fôlego. Mais recentemente, comecei a ler o último livro do cara. Ainda que Você ache touradas algo selvagem, não terá como não gostar da descrição que ele faz de um duelo entre toureiros, colocando o leitor na arquibancada de uma praça de touros. Ele é fera! Daí para a informal listinha…

Com relação ao meu direitismo como condutor do processo, resta-me concordar com os leitores: tirei Erico e Amado para poder colocar um compositor de extrema direita como Chico Buarque.

Perguntando

Este Raul Pont enrolado neste esquema de caixa-dois é parente daquele libelo da ética que foi prefeito de Porto Alegre?

O voto na Manuela é o voto útil desta eleição?

Autor

André Arnt

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