“Toda cidade espera para ser redescoberta.”
(Marco Polo, viajante e navegador)
As agências e os promotores de viagens dos Estados Unidos devem ter ficado em dúvida se sorriam ou choravam depois de ler o best-seller “101 Lugares para não se visitar antes de morrer”, da jornalista Catherine Price. Esta experiente viajante usa altas doses de ironia para denunciar o marketing turístico, que vende paraísos terrestres que não mais existem.
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A multimilionária indústria de viagens é uma máquina global de US$ 2.1 trilhões, que trabalha dia e noite para lotar aviões, navios, trens, ônibus e vans com pessoas que deixam o conforto de seus lares para visitar lugares distantes ou exóticos e comprar coisas de que não precisam.
Algumas experiências a se evitar, segundo Catherine Price:
O Palio de Siena – A Piazza del Campo, na cidade medieval de Siena, recebe mais de 60 mil visitantes a cada final de julho para o Palio di Provenzano. É uma tradicional corrida, que se realiza desde 1644, mas que não dura mais do que três minutos. Os felizardos que conseguem um lugar junto à pista geralmente são premiados por placas de barro jogadas pelos cavalos em disparada. E os hoteis e albergues da cidade estão sempre reservados com um ano de antecedência. Imagine as filas para o jantar nas trattorias, depois da corrida.
Muralha da China – Na verdade, somente algumas porções da Grande Muralha estão abertas ao turismo. A gigantesca obra, erigida três séculos antes da era cristã, tem quase 9 mil quilômetros de extensão, mas a maior parte está em ruinas. As porções próximas a Beijing (60 e 75 quilômetros) são as de Mutianyu e Badaking, que concentram a maior parte dos visitantes. Em 2012, a Grande Muralha disputou com o Taj Mahal, na India, a liderança entre as atrações turísticas mais populares do planeta.
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San Fermin – Para Catherine Price, a celebração de San Fermin, em Pamplona, nem do ponto de vista dos touros deve ser recomendada. A festa foi glorificada por Ernest Hemingway no clássico The sun also rises, de 1926, mas desde então perdeu toda sua aura romântica. As pessoas dormem nas ruas, bebem hectolitros de sangria, enquanto aguardam a vez de serem chifradas ou pisoteadas no encierro, fugindo de novilhos ensandecidos.
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Um Trem na Sibéria – É crescente o fluxo de turistas ocidentais que se aventuram no Trans-Siberiano. A viagem entre Moscou e Vladisvostok leva vários dias, as paisagens são deslumbrantes, mas não se pode esperar os mesmos confortos de um TGV europeu. As cabines são diminutas e o banheiro sempre fica do lado oposto do vagão. Não existem letreiros e avisos em inglês – em 2013, uma turista norte-americana tentou dar a descarga no toalete e apertou o botão de emergência. Os funcionários enfurecidos quase a expulsaram do trem no meio da noite. Como o Trans-Siberiano atravessa cinco fusos em relação à hora de Moscou, é bom estar atento aos horários das refeições. Em muitas estações, o trem parte sem aviso, o que não recomenda uma visita demorada às tendas de comidas e artesanato.
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La Gioconda – Existem pelo menos 20 obras-primas de Leonardo da Vinci no Louvre, mas todo turista que se preze precisa ver – e fotografar – um pequeno óleo com 76.8 × 53.0 centímetros. É o retrato de Lisa Gherardini, pintado por Leonardo entre 1503 e 1506, que se tornou o grande ícone da história da arte. Enquanto centenas de pessoas se acotovelam na sala da famosa pintura, alguns metros adiante, outras obras mestras como Virgem com a Criança e Sant”Ana e Virgem das Rochas aguardam por quem estiver disposto a se deslumbrar.
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Stoneenge – A origem e o significado deste misterioso grupo de monolitos desafiam historiadores, arqueólogos e místicos. Convém levar binóculos para admirar as misteriosas rochas, pois mesmo pagando ingresso não se chega perto do monumento, para evitar delapidações e pichações que aconteceram no passado. Stonehenge se situa entre duas rodovias de tráfego intenso e está sempre coalhado de ônibus de turismo. A alternativa, uns 40 quilômetros mais adiante, é a vila de Avebury, cercada por um círculo de monolitos igualmente enigmáticos e desafiantes.
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Latitude Zero – Os turistas que se deixam fotografar na Ciudad Mitad del Mundo, no Equador, não devem saber que a verdadeira
Linha do Equador fica a centenas de metros, em um lugar quase
inacessível. Mas as lojas de bugigangas junto ao monumento não deixam de vender t-shirts, chaveiros e souvenires que atestam que você esteve com um pé em cada hemisfério. Mas, para quem deseja visitar um meridiano de verdade, o melhor é voar até Greenwich, na Inglaterra, onde pelo menos a marca de Longitude Zero está no lugar certo.


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