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A verborréia desatada pelo resultado das eleições, que desmoralizou os profetas de plantão, está pondo em segundo plano a absoluta incapacidade do governo de lidar com um acidente aéreo, que apesar das proporções, tem normas para não aprofundar o sofrimento dos familiares da vítimas nem inquietar a opinião pública.

Diga-se de passagem: a Gol, à qual pertence o avião sinistrado, agiu exemplarmente. Mas tanto o presidente da Agência Nacional da Aviação Civil, a Anac, como seus lugares-tenentes mostraram-se simplesmente despreparados para lidar com emergências, que apesar de raras, são previstas e devem ser planejadas.

O que se vê são parentes das vítimas tendo de se valer da imprensa para saber o que está ocorrendo e poder tomar as providências de todos sabidas nessas situações de dor. Pior, ainda, é a própria imprensa e a opinião pública completamente confusas sobre o que aconteceu e que o governo parece ter interesse em esconder, sabe-se lá porque razões.

Afinal de contas, houve ou não houve a colisão entre os dois aviões? Se há um serviço de proteção ao vôo, a rota do jato particular era conhecida ou há algo mais aí que não deva ser conhecido?

São meras especulações. Mas nascem da incompetência do próprio governo de lidar com uma situação indesejável, mas perfeitamente previsível.

***

Há certa perplexidade com a reeleição de figuras carimbadas por este Brasil afora. Escapa ao entendimento das pessoas um fenômeno chamado militância partidária, que no Brasil parece ser exclusividade do PT 365 dias por ano. É o único partido nacional. Os demais, só existem em véspera de eleições.

É como se explica, por exemplo, a recondução do deputado federal Paulo Pimenta, no Rio Grande do Sul, Estado cioso da ética na prática política. Não há nada a se dizer sobre a honorabilidade de Pimenta, mas seu envolvimento no episódio da lista falsa do mensalão, em novembro de 2005, foi tão importante como o de outras figuras no recente dossiê contra Serra.
Então como se explica o seu sucesso eleitoral, e o de João Paulo Cunha, Antônio Palocci e Ricardo Berzoini e o insucesso da correligionária Ângela Guadagnin, tristemente famosa por seus balés?

A explicação é a mesma. Pimenta, no Rio Grande do Sul, Cunha Palocci e Berzoini são o que Ângela Guadagnin não é: líderes da militância petista. A explicação vale também para Paulo Maluf, líder inconteste do PP paulista, que nada tem a ver com o PP do Rio Grande do Sul, por exemplo. A Paulo Maluf, porém, deve-se acrescentar outro tipo de militância, a militância pessoal, consolidada através de décadas, desde quer assumiu, pela primeira vez, a Prefeitura de São Paulo. Quem não acreditou nisso, como Delfim Netto, que decidiu concorrer pelo PMDB, deu-se mal.

Esta militância pessoal vale principalmente para apresentadores, comentaristas e artistas de rádio e tevê, caso de Sérgio Zambiazi e o falecido Mendes Ribeiro, no Rio Grande do Sul, Celso Russomano e Afanázio Jazadji, de São Paulo, e até mesmo para Enéas Carneiro e Clodovil Hernandes.

Reclama-se muito contra eleitor brasileiro. Diz-se que ele não sabe votar. Mas, respondam: ele tem alternativa? Os partidos de maneira geral, funcionando apenas às vésperas das eleições lhe oferecem escolha ideológica? Enquanto forem mero ajuntamento de interesses, sob o comando de oligarquias malandras, não se mudará o cenário.

Autor

Jayme copstein

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