Colunas

Mais um dia de trabalho intenso

Gosto do exagero. Dos tamanhos aumentados. Dos números grandes. Sou uma mulher fadada aos gestos surpreendentes, encenações e superdimensões. Com isso, não quero dizer …

Gosto do exagero. Dos tamanhos aumentados. Dos números grandes. Sou uma mulher fadada aos gestos surpreendentes, encenações e superdimensões. Com isso, não quero dizer que sou falsa. Mas, perae, estou assim me desviando do assunto o que motivaria outra coluna e mais outra e mais outra. Voltando ao início.  Por conta destes meus excessos, afirmo que olhei 549 vezes a minha caixa de emails. Nada. Li várias vezes o site da Coletiva. Nenhum recado ali. E nestas 64 vezes em que li o portal, encontrei a emocionante coluna do Mario de Almeida sobre sua cachorra, a Preta. Momento de deixar um comentário para o colega colunista (ai, que chique no último).

De novo, me afasto do tema inicial da coluna. Recobra o passo Márcia Martins. Uma vez que não constava nenhum recado singelo da equipe da Redação do Coletiva na minha concorrida caixa de emails (olha o exagero aí) e nem no portal, conclui que sim, 1º de maio é um dia de escrever colunas. Nada de folga. Mãos à obra colunista e trata de dividir teu descanso no dia do Trabalho com algumas mal traçadas linhas para os teus leitores (tá se achando, né?).

Como no meu local de trabalho, temos a escala de folgas em feriados, era eu sorteada. Que é para ninguém sempre trabalhar no feriado ou feriadões, raros em 2013. Democrático. E fui uma das brindadas com a folga no Dia do Trabalho. Assim, depois de colocar toda a roupa de cama na máquina de lavar, trocar os lençóis dos quartos, tomar café (outra raridade nos dias de labuta), pensar na lista do supermercado, fazer um almoço rápido para mãe e filha, levar o canino Dalai para passear, chegou a hora de escrever a coluna. Não sem antes olhar de novo a caixa de emails para ver se não passara nenhum recado da equipe do Coletiva e ler os jornais do dia.

Logo, depois de trabalhar na minha casa, num dos meus tantos turnos (este não remunerado),  lembrei que precisava escrever a coluna. E sobre exatamente o quê? Neste dia dedicado ao sossego do trabalhador. Neste dia em que meus colegas empregados em veículos, assessorias e demais meios de comunicação social estão atolados de tantas tarefas? Para cumprir as pautas, entregar os releases, abastecer os sites e portais e atender aos seus assessorados. Num dia em que alguns, como eu, de folga do trabalho remunerado, ainda precisam dar conta dos afazeres domésticos. Num dia em que para nós jornalistas é apenas mais um dia normal de trabalho intenso.

Por isso, não serei extensa. Apesar de gostar dos exageros, como descrevi no início. Serei breve neste texto. Para que os meus leitores, alguns jornalistas (penso eu), aproveitem seu resto de dia para o descanso. E esclarecendo (com o perdão do gerúndio), escrevo aqui porque gosto. Não se trata de nenhuma obrigação. Mesmo em feriado.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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