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Mar ou Riacho?

“ Eu apenas toco as notas da partitura, quem faz a música é Deus”. J.S.Bach. *** A importância de Johann Sebastian Bach na história …

“ Eu apenas toco as notas da partitura,

quem faz a música é Deus”.

J.S.Bach.

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A importância de Johann Sebastian Bach na história da música foi tardiamente reconhecida – quase 100 anos depois de sua morte. Antes disso, poucos e bons músicos de seu tempo já perceberam seu gênio, como Ludwig van Beethoven, que o titulou de ‘Urvater der Harmonie’, ou ‘Pai Original da Harmonia’. Para alguns críticos,  o aplauso tardio a J.S. Bach se deveu à uma vida discreta, grande modéstia e total devoção à música.

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Em 1929, Felix Mendelssohn apresenta em Berlim o grande oratório ‘A Paixão Segundo São Mateus’, recebido com ovações e enorme repercussão. Desde então, orquestras, regentes e platéias prestam reverência a um dos maiores compositores de todos os tempos. Mas deve-se notar que esta glorificação contrasta fortemente com a vida real de Bach, principalmente quando ele era conhecido apenas como um modesto organista. Quando indagam sobre suas ambições, ele responde simplesmente:

Meu sonho é um clavicórdio, um emprego e uma esposa”.

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No século XVIII, músicos e artistas dependiam de príncipes ou dignatários da Igreja para ganhar seu sustento. No caso de Bach, o apoio vinha do rei Frederico II da Prússia e do príncipe Leopoldo de Anhalt-Köthen, seus principais patrocinadores. Raros monarcas realmente apreciavam a música – os magníficos Concertos de Bradenburg, nunca chegaram aos ouvidos do príncipe Christian Ludwig, que os encomendara.

Embora consagrado como um ícone da música universal (mais de mil composições apenas no catálogo BWV) não é fácil decifrar o personagem J.S. Bach. Ele escrevia música, mas não escreveu uma linha sobre si mesmo. O obituário deixado por seu filho fala de um personagem forte, que teve atritos com as autoridades de Leipzig. Mas revela sua intensa fé religiosa e, acima de tudo, uma total dedicação à música. Os críticos modernos gostam de dizer que ele fez na música o equivalente com o que William Shakespeare fez no teatro e Isaac Newton, na ciência. O nome Bach foi longe – batiza uma cratera no planeta Mercúrio e os dois primeiros asteroides descobertos no início do século XX.

Quando consultaram o cientista espacial Lewis Thomas, da NASA, sobre qual mensagem deveria ser colocada a bordo das sondas Voyager para representar a Humanidade, respondeu:

“- Eu mandaria a obra completa de Johann Sebastian Bach.”

Mas, depois de refletir por um minuto, acrescentou:

“- Mas seria exibicionismo demais.”

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O crítico de música William Apthorp confessou que abrir um volume de partituras de Bach lhe provocava arrepios de terror, pois sua música poderia anular a obra de todos os demais compositores. Para Richard Wagner, ele foi a expressão do mais íntimo espírito germânico e de ‘um mundo anterior ao nascimento do homem’.

E Johannes Brahms dizia:

“Eu ficaria triste se todo o acervo musical da humanidade se perdesse, mas se a música de Bach se perdesse, eu não teria mais razões para viver”.

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Mas foi o grande Ludwig van Beethoven que soube resumir, em uma simples frase, a monumentalidade do compositor:

“Seu nome não deveria ser Bach (em alemão, riacho), mas sim Meer, (que significa mar)”.

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Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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