O caso, se não é verdadeiro, é bem contado.
Corria o treinamento empresarial voltado a executivos, visando à qualificação da capacidade de liderança.
O professor desafiou os quatro grupos a realizar um jogo de palavras cruzadas. Venceria o grupo que concluísse corretamente a tarefa no tempo mais curto.
Ficou em quarto lugar o grupo cujo líder recortou o jogo em duas metades e atribuiu a cada parcela do grupo a solução de uma destas metades.
Em terceiro, qualificou-se o grupo que, dividido ao meio pelo líder, realizou separadamente horizontais e verticais.
O grupo segundo classificado adotou um método similar a um bingo: o líder cantava a dica e o número de letras e todos os participantes do grupo palpitavam buscando fechar o jogo.
Venceu o desafio o grupo cujo líder faz apenas uma pergunta aos seus liderados: “Temos aqui um especialista em palavras cruzadas?” A partir de uma resposta afirmativa, entregou a este componente a tarefa, disponibilizando-lhe os demais participantes para apoio, se houvesse necessidade.
Antes que o leitor que veio até aqui pense que a Coletiva trouxe um novo colaborador para pregar contra o trabalho em equipe, devemos esclarecer.
Não se trata de desqualificar a importância do trabalho dos grupos, porém de assinalar que há momentos nos quais a presença do profissional habilitado é indispensável.
Ninguém sugeriria um grupo de não-especialistas para tratar um tumor cancerígeno. Da mesma forma, cabe ao engenheiro o cálculo estrutural de uma ponte e ao advogado criminalista a defesa do acusado de homicídio.
Quando o assunto migra para o Marketing, no entanto, as coisas não ficam tão claras assim. Nas organizações, muitas vezes, profissionais das mais diversas áreas atribuem a si competência para tratar do assunto, muitas vezes acreditando que basta bom senso para destrinchar-se das questões como posicionamento de marcas ou de uma campanha publicitária.
A formação de um profissional de Marketing requer uma qualificação multidisciplinar, independentemente da formação superior inicial escolhida. Conhecimentos de Comunicação Social, Negócios, Psicologia e Estatística, entre outros, têm grande importância.
Além disso, é importante considerar a velocidade da mudança nos tempos atuais. Na primeira metade do século XX, profissionais das mais diversas áreas concluíam seus cursos superiores e passavam a carreira sem maiores preocupações com atualizações. Conceitos e tecnologias mudaram de forma gradual sem grandes sobressaltos.
A partir das últimas décadas do século passado vivemos a aceleração da História. Produtos, sistemas, conceitos mudam com grande velocidade, demandas novas surgem a todo instante, implicando a necessidade de um novo profissional.
A formação up-to-date em Marketing passa a exigir de todos uma atualização constante. Surge a educação continuada, através de programas de pós-graduação, cursos de extensão, educação à distância e, até mesmo, através de leituras e grupos de discussão, virtuais ou presenciais.
Além disso, o Marketing, que em sua origem muito se preocupou com a questão da comercialização de produtos, passou a ter um caráter multifacetado. Surgiram o Marketing de Serviços, o Marketing Político, o Marketing Social e o Marketing Esportivo, só para citar alguns novos campos de atuação.
Ao encontro destas questões, vai a proposta desta coluna. Nosso propósito será discutir as questões conceituais mais perenes e os assuntos emergentes no campo do Marketing, da Comunicação e da formação da opinião pública. Nosso desejo é interagir com o leitor e estabelecer um espaço de debate, alicerçado nos fundamentos teóricos estabelecidos. Aguardamos proposta de temas para discussão.
Um especialista em Marketing faz a diferença.

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