Na minha infância, diferentemente da maioria das crianças, eu gostava de dias de chuva. Não só daquelas chuvas de verão, rápidas, refrescantes em meio ao calor, que nos levavam às ruas para os tradicionais banhos de chuva. Mas gostava também de temporais, chuvaradas, trovoadas. Principalmente à noite, quando me sentia confortável no aconchego do lar.
Mas nada é eterno. Já na juventude, aos poucos fui percebendo que se para mim era possível sentir segurança em dias de chuvas fortes, para tantas outras pessoas, a situação era diferente. Bastava acompanhar pelo noticiário o número de pessoas obrigadas em áreas de risco, como encostas de morros e outras alagáveis, para perceber o quanto o descontrole climático era perigoso.
Em meus tempos de jornalismo diário, principalmente no Diário Gaúcho, onde trabalhei com pautas populares, ampliei minha visão a respeito do assunto. Muitas vezes fomos cobrir alagamentos e enchentes, em áreas de periferia das cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre.
Em 2024, eu já não estava mais no jornalismo diário. Com isso, não acompanhei, como repórter, o drama provocado pela histórica enchente daquele ano. Mas, não poderia ser diferente, me vieram à memória as histórias contadas pelos meus avós sobre a enchente de 1941.
Além disso, indiretamente, acompanhei pelo trabalho dos colegas jornalistas o drama vivido por outras pessoas. E desta vez não só moradoras de periferias e áreas de risco, mas também de regiões centrais das cidades.
Eu mesmo, que moro numa região de Centro, fiquei durante algum tempo com uma espécie de trauma de som de helicópteros, pois, durante a enchente, todos os dias era acordado por um, com o qual era feito um monitoramento da situação. Pois agora, já idoso, devido a esses acontecimentos, passei a ter muito receio de eventos climáticos como temporais e vendavais, como o de quinta-feira (6/8) à noite.


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