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Modismos

Um meme, termo criado em 1976, por Richard Richard Dawkinsno em seu bestseller O Gene Egoísta, é para a memória o análogo do gene …

Um meme, termo criado em 1976, por Richard Richard Dawkinsno em seu bestseller O Gene Egoísta, é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que diz respeito à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se.

Exemplos: Menos Luiza, que está no Canadá. Comercial de imóveis, na Paraíba.

Hoje é dia de rock, bebê! Atriz Christiane Torloni.     

As epígrafes acima, na condição de memes, se propagaram rápido pelo Brasil e pelo Rio. Só o primeiro teve mais de dois milhões de citações na Internet.   

Hoje, no entanto, quero escrever sobre os modismos, que, de forma quase despercebida, entram e saem do idioma, num permanente rodízio de novidades no uso linguístico.

Lembro-me de um quase bordão que, em minha infância, iniciava as transmissões radiofônicas de futebol (quando o tempo permitia), na minha antiga São Paulo: “Tarde magnífica para a prática do esporte bretão”.

Durante décadas, quando eu perguntava a uma pessoa “Como vai?” ouvia, de volta – quando a pessoa não era um chato – um “Bem, obrigado”. De uns tempos para cá, pelo menos o Rio de Janeiro virou um mar de tranquilidade, pois a resposta mais comum, agora, é “Tranquilo”.

Estou desconfiado que daqui a pouco o “Confortável” vai substituir o “Tranquilo”, tantas vezes tenho lido ou ouvido, nas últimas semanas, o uso de “Confortável” ou “Zona de conforto”. Não demora muito e quem está “Bem” ou “Tranquilo” passará a estar “Confortável”, ainda que sentado numa cadeira de dentista.

Se você não quiser partir para o reino da imaginação, evite agradecer qualquer gentileza ou fazer uma afirmação que agrade ou não agrade ao interlocutor, pois você vai ganhar um “Imagina!”

No final dos anos 1960, a expressão “Pra frente” começou a se insinuar como “progressista”, “avançado”. Achei que a expressão iria pegar e apostei na oportunidade, criando para a Shell uma campanha com “Os Mutantes”, cuja assinatura era “Shell é prá frente”, “Prá frente com Shell”, pois a ideia de modernidade era o tema recorrente nas campanhas Shell daqueles anos. Esse prá, com acento, foi apenas um exercício de lógica, pois o prá passa a ser um monossílabo tônico. Isso não impediu um artigo em O Globo acusando os publicitários de desrespeito ao idioma.

Jornais da semana passada publicaram um anúncio de indústria automobilística afirmando que seus carros oferecem mais conforto, o que significa que a propaganda já sacou que é confortável entrar na atual zona de conforto.

No início do governo Collor, a expressão “Com certeza” era mais usada que os atuais “malfeitos” e o presidente, mais sua ministra das Finanças, Zélia Cardoso de Mello, não se vexaram de afirmar, com certeza, tudo o que acabou não dando certo. “Com certeza” foi o epitáfio daquele governo.

A dinâmica de um idioma não se limita à gíria, pois, como num passe de mágica, determinadas palavras ou expressões substituem outras de valor igual.

Já rascunhara este texto quando li, em Prosa & Verso, caderno literário de O Globo, artigo de Wilson Alves- Bezerra, professor de Letras da Universidade Federal de São Carlos (SP), as seguintes passagens: “… o autor deixa o leitor numa zona de conforto…” e “… coloca o leitor em uma poltrona confortável…”.

Em O Globo de 23.02, catei: “Para o PSB de Kassab é muito mais confortável apoiar Serra para a Prefeitura…”.

Houve um tempo no qual você ligava para uma pessoa numa empresa e quem atendia perguntava: “quem gostaria?”  Você dava o seu nome e vinha a outra pergunta: “de onde?”. Esse ritual durou alguns anos e como me enchia a paciência (para não dizer saco), um dia resolvi partir para a gozação:

– Monserrat, por favor…

– Quem gostaria?

– Mario de Almeida…

– De onde?

– Você fala francês?

– Não…

– Preste atenção, o nome da minha empresa é francês, são duas palavras e vou soletrar para você. Certo?

– Certo.

– A pronúncia é “tu cur” e as palavras são “tout court”. Vou soletrar: t-o-u -t- … segunda palavra: c-o-u-r-t. Minha empresa é Mario de Almeida tout court. E lá foi ela com o papelzinho na mão, creio. Em seguida, o Monserrat abriu a porta de sua sala e, rindo, comentou: – Só você mesmo, hein cara?

Tout court quer dizer simplesmente. Ou nada mais.

Inté.

Vitrine (Comentários sobre a coluna anterior)

Houve telepatia nos recônditos do orbe. Pensei até em te falar sobre a fantástica volta às ruas dos blocos, no Rio. Mas achei que não tinha que meter a colher torta. Taí, disseste o que eu queria ler.

Mas também fantástico e aterrador é o bloco dos foliões de Cristo, que também arrastou milhares. Eles estão vindo, tchê, estão vindo, espero que não façam arrastão. Beijo noturno. Vera (Verissimo) psicóloga, poetisa e tradutora, Porto Alegre.

Belo e bravo Mario, tudo bem com você?

Gostaria que você visse no site da minha amiga Isabel Vasconcellos (www.isabelvasconcellos.com.br), na minha coluna (a de número 6 no site), uma crônica sobre minha paixão pelo Rio (“Este Rio que eu amo”). Faltou falar dos carnavais (vários) que aí passei, desde 1957 até o segundo desfile da Banda de Ipanema (creio que em 1966), com os bailes improvisados nas galerias de bairros (Madureira, Ramos e Olaria, entre outros) durante o dia, aí por volta de 1960 a 1963, com bandinhas de músicos amadores que tocavam por amor à arte. Good times, good times! Juvenal Azevedo, jornalista e publicitário, São Paulo.

Autor

Mario de Almeida

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