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Motivos para ficar em casa?

“O melhor que se pode pode trazer de volta de viagem é uma pele intacta.“ (Marco Polo, viajante veneziano) *** Viajar é um dos …

“O melhor que se pode pode trazer

de volta de viagem é uma pele intacta.“

(Marco Polo, viajante veneziano)

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Viajar é um dos grandes prazeres da vida – quando as coisas dão certo. O jornal britânico The Guardian, que publica regularmente listas do tipo “10 Best” e “10 Worst”, divulgou agora uma relação de atrações turísticas que são armadilhas camufladas. O que provocou reações iradas de hotéis, linhas aéreas, restaurantes e agentes de turismo.

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Sem contar os viajantes com viagem marcada para lugares que há muito sonham conhecer. Na verdade, estas listas denunciam os problemas do crescimento desordenado de um turismo que degrada – ou depreda – inestimáveis patrimônios históricos e culturais. E sugerem planejamento e cautela ao viajante, para evitar decepções e surpresas pelo caminho.

Exemplos dos destinos “zero estrelas“:

Paris no verão – É impossível acomodar os 44 milhões de visitantes que chegam à cidade a cada ano. O resultado – imensas filas (de gente e de ônibus) no Museu do Louvre, na Tour Eiffel, nos grandes magazines da Rive Droite. Ou seja, em todos aqueles lugares de seus sonhos. E durante agosto não se avista um único parisiense de verdade – eles já fugiram para a Côte d’Azur.  

Para complicar, os melhores garçons, recepcionistas de hotel e motoristas de táxi também desertaram, para se preservar da multidão de turistas cansados, famintos – e com muita pressa.

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Torre de Pisa – Qual o motivo para visitar um erro de arquitetura?    Há dez anos a torre não se move e os ônibus precisam estacionar a quilômetros de distância. Não existe espaço físico para os grupos de visitantes que sobem em fila até o alto da torre e que na volta, se acotovelam para tirar as nefandas fotos “segurando a torre com as mãos”.

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Pirâmides de Giza – Certo, é uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Mas isso foi antes da chegada da Pizza Hut e de montanhas de lixo. É ponto favorito de agressivos vendedores, capazes de tudo para vender um passeio de camelo – incluindo um turbante sujo. E mais – desista de subir nas Pirâmides ou tocar na Esfinge. Depois do roubo de milhares de lascas de pedra, foi proibido chegar perto dos monumentos e as fotos devem ser feitas à distância. Dica – as pirâmides de Dahshur, menos populares e não menos fascinantes.

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Las Vegas – A não ser que você tenha comprado o pacote Vegas Platinum, com direito a limousine, suíte em uma das torres, salas privadas nos casinos e camarote VIP nos shows, Vegas pode ser   de alto risco. Quase tudo é fake e quando os luminosos se apagam, a cidade fica triste e até deprimente. Ninguém tem tempo para conversar ou para degustar uma refeição decente – estão todos enfiando moedas nos caça-níqueis ou se entupindo de colesterol nos restaurantes tipo “coma o quanto puder”. 

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Capela Sistina – Algumas das mais fantásticas obras de arte do Renascimento estão guardadas no Vaticano. Até o século XIX, apenas dignatários e membros da aristocracia religiosa eram admitidos no Museu, nos Jardins e na Capela Sistina. Atualmente, você terá sorte se conseguir ficar mais de um minuto diante da Pietá ou de um belíssimo Raffaello Sanzio, antes de ser arrastado pela massa em movimento. Na Capela Sistina, onde Michelangelo penou durante anos para pintar fabulosos afrescos, sua visão estará bloqueada por dezenas de iPads acima de sua cabeça, tirando fotos – que, por sinal, são terminantemente proibidas.

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Reveillon em Times Square ­– O mítico ponto de encontro em Nova York e local histórico para celebrar a passagem de ano se tornou impraticável depois dos atentados terroristas de 2009. A cada celebração, a prefeitura fecha 10 quarteirões ao trânsito de veículos e a polícia instala barreiras a cada 100 metros, onde bolsas, mochilas e shopping bags são revistadas minuciosamente. Então, deve-se chegar bem cedo e esperar de pé (e no frio de dezembro) as 12 badaladas e a queda do ícone do novo ano. Depois da festa, é preciso caminhar até a estação do subway mais próxima – ou contar com a visão de um improvável yellow cab, cujo motorista espera 10 ou 20 dólares de tip.

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Veneza – Depois que os grandes transatlânticos ganharam licença para entrar na laguna de Veneza, o número de turistas-de-um-dia triplicou. No topo da lista das cidades declaradas como Patrimônio da Humanidade, a Serenissima revela tristes sinais de degradação. Intelectuais, artistas e até hoteleiros reclamam há anos – e sem sucesso – restrições de acesso, denunciando que a cidade, com apenas 50 mil habitantes não suporta receber 100 mil turistas por dia. A multidão de turistas, vendedores (e pombos) é tamanha que certos prazeres se tornaram proibidos, como desfrutar da visão da Piazza San Marco, “a mais bela praça do mundo”, tomar um espresso na esplanada ou admirar de perto os Quatro Cavalos originais no interior da basílica.

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Safari no Quênia – Caro e desconfortável. Os chineses adoram,      chegam em grandes grupos para fotografar girafas, rinocerontes    e, com muita sorte, um casal de velhos elefantes. Claro, todo mundo gosta de elefantes: eles são grandes, possuem uma excelente memória e alguns podem até voar, como nos desenhos animados. Na realidade, um safari nas savanas africanas se resume a rodar de jipe por horas, olhando para as savanas, esperando por um leão feroz. Nos acampamentos, a comida será de microondas e você vai dormir em um colchonete com mosquiteiro.

E não esqueça de usar repelente o tempo todo.

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Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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