Você lembra do seu voto na última eleição?
Quanto mais engajado Você for à política, maior a probabilidade de sua resposta ser positiva, o que, independente da sua orientação ideológica, já é um fato positivo. Só com memória é possível cobrar.
Infelizmente, esta lembrança é pouco usual entre nós.
Pessoalmente, embora me considere engajado, tendo a lembrar mais os votos majoritários.
Da última eleição, no entanto, tenho uma lembrança da votação proporcional. Para deputado estadual, votei no partido da Governadora para suporte à gestão que se avizinhava e ajudei a eleger o Nélson Marchezan.
Conhecia-o lateralmente sem nenhuma aproximação, mas os contatos que tivéramos mostravam a intenção da busca do bem comum.
Na semana passada, assistindo o programa Conversas Cruzadas tive a certeza do acerto neste voto. Com uma coragem admirável, Marchezan denunciou mais uma “conquista” legal da corporação do Judiciário do Rio Grande do Sul.
Considerando a lida de um político, mesmo que honesto, a probabilidade de uma rusga jurídica é maior do que a do cidadão comum. Daí a coragem.
Marchezan denunciou, diante de dois representantes da corporação, o absurdo que se aproxima, espetando uma nova conta de R$ 300 milhões nas costas da sociedade gaúcha.
Neste programa, os juízes fundamentaram o merecimento da nova sinecura em dois pilares: a baixa representatividade dos valores do Judiciário diante do custeio de pessoal total e a perda de eventuais aprovados no concurso à magistratura gaúcha para tribunais de outros estados.
Ora, o primeiro argumento caracteriza um “license to kill” jamesbondiano em relação às despesas. Com base nele, todo agente público passa a poder reivindicar um polpudo reajuste, uma vez que este pouca repercussão terá sobre o valor total.
Já o segundo caso, parece-me mais grave, pois traz consigo uma alta dose de arrogância.
Se é verdade que o Rio Grande do Sul está perdendo talentosíssimo magistrados para outros estados, também é fato que perdemos professores, soldados e profissionais da saúde para outras atividades e organizações em função dos baixos salários.
Quem decide qual a perda mais dolorida? Não seria o caso da sociedade fazer suas opções? Quem delegou aos juízes esta arrogante decisão?
Em geral, estas fortunas a serem pagas às corporações vêm revestidas de legalidade. Entretanto, cabem aqui mais perguntas: por que estes credores não vão para a fila dos precatórios a qual os cidadãos comuns são submetidos? Existiriam classes de cidadãos na ótica do Judiciário gaúcho?
***********
Há muitos anos, quando estudava na UFRGS e pegava ônibus na Praça Dom Feliciano passava diante da triagem da Santa Casa.
À distância, podia observar as condições precárias de que dispunham os profissionais que atendiam à casta mais miserável da nossa sociedade.
Mais tarde, quando da operação de recuperação do Complexo tive a oportunidade de doar algum recurso para apoiar o projeto. Coisa miúda, naturalmente, mas parte do todo.
A capa da Santa Casa Notícias deste semestre remeteu-me àqueles trocados que deixei no hospital. A foto do acreano Antony nos seus 18 meses, com seu peito marcado pela bem sucedida e complexa cirurgia cardíaca, justifica todo esforço realizado pelas pessoas físicas e jurídicas na recuperação do hospital.
No olhar esperto do moleque estão nossas maiores e melhores esperanças.
E é muito melhor que destinar recursos para auxílios moradias corporativos.
Perguntando
Por que as TVs brasileiras não mostraram as imagens do protesto realizado por cubanos no nosso consulado em Miami? Mais um fiasco de uma diplomacia amadora que foi para o youtube…

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial