“O plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória.”
Sabedoria popular
Existe uma frase que virou quase um mantra masculino quando falamos sobre misoginia: “nem todo homem”.
E é verdade. Nem todo homem é violento, desrespeitoso ou perigoso. Mas se é assim, por que tantos pais têm medo dos namorados das suas filhas?
Essa não é uma pergunta confortável. Porque ela não fala só sobre os outros, ela fala sobre o mundo que nós ajudamos a construir. O medo não nasce do nada. Ele nasce da consciência de que, mesmo que existam homens bons, também existem homens que não são. E basta um para causar um dano irreversível.
Não é sobre demonizar homens. É sobre reconhecer uma realidade. Pais não têm medo porque odeiam homens, têm medo porque amam suas filhas e os riscos que elas correm. E porque sabem que, historicamente, as mulheres foram ensinadas a se proteger, enquanto muitos homens nunca foram ensinados a respeitar.
É aqui que a discussão fica séria. Existe hoje um esforço claro da extrema-direita para transformar esse debate em uma suposta guerra contra os homens. Não é isso. Essa distorção serve para gerar medo, reação e confusão. O feminismo não é sobre anular a masculinidade. É sobre corrigir um desequilíbrio histórico. É sobre garantir que mulheres tenham o mesmo direito básico de existir com segurança, liberdade e respeito.
Se tu, pai, sentes medo, tu já entendeste o problema. Talvez só ainda não tenha conectado isso à solução.
Porque o que está em jogo não é ideologia. É o futuro da tua filha.
Tu tens certeza de que não quer que ela tenha mais direitos?
Tu tens certeza de que não quer que ela tenha mais liberdade?
Tu tens certeza de que não quer que ela seja mais respeitada, na rua, em casa, no trabalho?
Tu tens certeza de que não quer lutar por um futuro melhor para ela?
Porque, no fim, essa discussão não é sobre homens.
É sobre elas. E o mundo que TU preparares para ela viver.


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