Colunas

Neto canino doente e eu adoeço com as contas na veterinária

Não vou escrever na coluna de hoje sobre as atividades do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, comemorado no domingo, e que teve …

Não vou escrever na coluna de hoje sobre as atividades do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, comemorado no domingo, e que teve o Brique da Redenção como cenário para debates, discussões, mutirões, brechós e uma caminhada. Nem pretendo falar do momento hilário em que donas de casas encontraram, finalmente, a cozinha, no domingo à noite para conhecer as panelas e agitá-las nas janelas e sacadas de bairros chiques de algumas capitais do País em protesto contra nem sabem o quê. E como não tenho a intenção de discorrer sobre política, não usarei este espaço para comentar a falta de educação destas pessoas ao xingarem de nomes não aconselháveis a presidente Dilma Rousseff neste tal movimento apelidado de “panelaço”.

Nada de temas pesados e pendentes para o cenário político que a vida aqui pelo meu lado não anda muito leve não. Vou dividir com vocês um pouco de tristeza porque o meu animal de estimação, neto canino Dalai, está adoentado. Coisa mais amada da vó dele, o shih tzu de nome sossegado, apresentou limitações nos movimentos causados em parte pela obesidade e parte pela idade já avançada, e precisei levá-lo na emergência veterinária no meio da madrugada. Depois, consulta de revisão. Encaminhado para um especialista. Recomendada ração especial e exames laboratoriais.  Remédios novos. Tratamento ortomolecular.

E o limite bancário ultrapassando o vermelho do cheque especial. O cartão de crédito no máximo do parcelamento. Somas e mais somas na calculadora. O neto canino doente e eu quase adoeço de preocupação com o volume das contas na veterinária e farmácia. Mas, na primeira vez, depois de alguns dias da segunda semana de tratamento, que o Dalai começou a tentar novamente subir no sofá, as rugas de preocupação sumiram. Nada se compara à felicidade dele perceber que pode voltar a fazer algumas travessuras. Nada se compara a minha felicidade de ver que ele iniciou sua recuperação.

Serei recorrente neste tema porque já escrevi algumas colunas falando da minha paixão pelos caninos (sim, já tive além do Dalai no apartamento, o Gandhi, um Cocker caramelo lindo demais e o Ravi, o vira lata mais legítimo do mundo), da felicidade que é retornar de qualquer lugar e ser recebida com carinhos em abundância pelo cachorro e que desconfio de quem não gosta de cães. Somente quem têm caninos pode atestar que não existe nada que se compare ao amor que eles desenvolvem por nós. Sem exigir nada em troca. Sem esperar recompensa. Pelo simples ato de amar. Pelo simples ato de agradar. Pelo simples ato de acarinhar.

Dalai subia e descia do sofá com uma facilidade assustadora e frequente. O sinal era simples. Toda vez que eu ou minha filha Gabriela fazíamos menção de que iríamos desocupar nosso espaço no sofá para executar qualquer outra tarefa, ele imediatamente acompanhava a dissidente. Se depois de alguns minutos não encontrasse guarita com a que deixou o sofá, voltava correndo para agradar a que havia ficado no móvel. Com agilidade absurda. Por isso, perceber que estava com seus movimentos limitados, era dor imensa para ele. Mas para nós também. Dor dupla pela dor canina e pela nossa ao sentir a ausência dele nos acarinhando no sofá.

Com o tratamento entrando na terceira semana, ele experimenta seus novos movimentos. Fica com seu olhar shih tzu de “pidão” encarando o sofá e ronronando pedindo ajuda para subir. Atendendo orientação veterinária, não ajudamos o ancião canino a alcançar o sofá. Ele precisa se exercitar. Por isso, a minha doença com o tamanho das contas com veterinária e remédios fica totalmente curada ao perceber momentos de recuperação do Dalai. Só quem ama os cachorros entenderá.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.