Campanha eleitoral à parte (deixando claro que não sou a favor ou contra qualquer candidato) não acredito que a decisão de proibir sites de apostas no Brasil seja mantida depois do resultado das urnas. Vão derrubar, de alguma forma. Mesmo assim o amadorismo do nosso futebol ficou escancarado sob uma mera ameaça de eliminar o dinheiro vindo das bets. Os clubes estão reféns. A estrutura ficou viciada. É difícil crer num futuro melhor.
Quando a pauta entrou em discussão logo veio um manifesto contrário, com o altamente exagerado título “O fim do futebol brasileiro” assinado pela maioria dos principais times do país. Lamentável, para dizer o mínimo. Se o esporte depende de algum tipo específico de financiamento, de um único segmento, para continuar existindo é porque o sistema está definitivamente falido.
Todos sabemos, e eu particularmente convivi com isso lá no início quando era diretor de comunicação do Inter entre 2022 e 2023, que a chegada das casas de apostas despejou valores nunca antes vistos nos clubes e nos jogadores. As cifras dos contratos deram saltos astronômicos em pouquíssimo tempo e, justiça seja feita, os clubes ficaram de mãos amarradas. Ou se encaixavam no novo modelo para aumentar suas receitas e a sua competitividade, ou ficariam para trás no mercado e, claro, nas competições dentro de campo.
O problema é o que se fez e se faz com o dinheiro abundante das bets. No caso da dupla Gre-Nal, salvo raros exemplos, as contratações foram muito ruins e os recursos foram muito mal aplicados. Grande parte dos dirigentes Brasil afora cometeram os mesmos erros que os nossos aqui.
Mesmo que a distância de qualidade para os nossos rivais na América do Sul tenha ficado ainda maior (prova é que a Libertadores tem sido dominada pela gente há quase uma década), internamente o nosso desempenho não evoluiu em igual proporção.
Os salários inflacionados resultaram, isso sim, na banalização do estrangeirismo, com treinadores e atletas trazidos para cá recebendo o que se paga na Europa, de quebra prejudicando o surgimento de novos talentos brasileiros, o que causa efeitos péssimos na Seleção. E só isso. Não houve outras recompensas.
Ou seja a incompetência dos dirigentes viciou o futebol em sites de apostas e, agora, a proibição realmente provoca um baque nos faturamentos de todos. Como já disse, duvido que a decisão seja mantida. A grande questão é que o amadorismo, mais uma vez, ficou comprovado.


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