Dia de escrever algo que interesse. Que importe. Esse negócio de escrever para internet é como plantar samambaias. Quando você vê, o jardim está forrado delas. Sites pedindo colaboração, gente debatendo sobre tudo. Um palavrório total. Todos sabem tudo, ouvem tudo, lêem quase tudo. O mercado saturou. Nós saturamos o mercado. Gente como essa que vos atrolha com palavras sem muito contiúdo. Buenas, mas a chance nem sempre é dada a gênios da raça, mas a simples mortais. Sendo assim, estou em greve. Não entro na internet, apenas passo os olhos no jornal. Não vou ao teatro, por absoluta falta de grana, curto o Telecine e o cinema em geral. Nada aficcionado. Resolvi adotar uma tese na prática. A tese já deve ter sido esmiuçada em diversos sites internacionais, mas a prática hoje é um pouco difícil de ser tocada adiante. Trata-se de estar só e abandonada no mundo. Quase como uma sensação de ser única. Meio Adão e Eva (porque sem o Adão, não dá). É quase impossível você reduzir as relações nessa aldeona global, mas talvez ainda seja possível. É a famosa alienação dos anos sei-lá-quanto-pra-trás. Espero que essa fase do “tô de saco cheio” passe logo. Porque, afinal, gosto de ser fisgada de alguma forma por qualquer coisa interessante que consiga romper o cerco de proteção individual e do marasmo mental. Uma notinha no jornal, uma olhadela de passagem na frente da tevê. Um out door, um escândalo, um livro antigo. O Dia D, por exemplo. Uma tragédia a mais daquelas sob a qual não se tem controle. Onde o resultado deve ser o que dizem: a vitória. O ceticismo de hoje passa a ser a tônica (uma tônica gelada….). Não acredito em quase nada. Ainda bem que não estou dirigindo nada além do que a minha própria vida. Eu não confiaria no motorista se o carro fosse maior. Não vou roubar mais seu tempo de formar opinião. Pelo que sinto, naquela época, naqueles bares de Paris de todo o mundo, venceu o nada.
Essa clônica é baseada na memória de uma música que ouvi, com a Elis Regina, quando falava de uma fase ruim e de outra melhor, portanto vamos ao positivo.
Um pássaro acaba de parar as asinhas sobre o parapeito que está a sete andares do chão. O dia está ensolarado. Aqui, neste minúsculo espaço de tempo, como nos jardins de Saramago, não é o Dia D. Pelo menos aqui é o dia x,y,z e nada contra a letra D. Li em algum lugar que quando não queria estar pensando em problemas brasileiros, um imperador lia os clássicos e pensava sobre o nada. A alguns dirigentes não é dada a mesma chance e os destrói o ser. A batalha é ciclotímica. E mesmo aqui, em poucas linhas, não há vencedores. Waterbreak.

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