
Seu nome sequer aparece no currículo das escolas modernas, mas uma formação cultural séria deveria incluir, pelo menos, a leitura de um de seus livros. No entanto, quem teve a sorte de conhecer sua obra, se sentirá como se tivesse cursado a faculdade. Mais do que um escritor ou jornalista, este homem foi descrito como o “apóstolo do bom senso” do século XX. Um apóstolo que não se limita a nos surpreender e fazer pensar. Ele vai além disso. Ele nos faz rir.
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Parece inútil tentar resumir em parágrafos ou em biografias, quem foi Gilbert Keith Chesterton. Ele escreveu sobre quase tudo e o fez com mais brilho do que muitos escritores famosos de seu tempo. Nasceu em 1874, em Londres e nunca cursou a universidade. A partir de 1900, começou a escrever para revistas e jornais e nunca mais parou, tornando-se um dos mais prolíficos escritores de seu tempo. Na maioria da vezes, o termo prolífico é sinônimo de quantidade com mediocridade. Mas GKC sempre escrevia com qualidade – foram 100 livros, centenas de poemas, um épico, “Ballad of the White Horse”, cinco peças de teatro, cinco romances e duzentos contos. Entre estes, a série com seu mais emblemático personagem, o detetive Padre Brown. O biógrafo Dale Ahlquist, da American Chesterton Society, o descreve como “um elfo distraído”. Ele escrevia em bancos de estações ferroviárias, pois quase sempre esquecia das horas e perdia o trem. Pesava quase 200 quilos, andava de capa, chapéu amarrotado e com um charuto na boca. E, geralmente, sem ter idéia de qual seria seu próximo compromisso.
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Este homem distraído, que sabia rir de si mesmo, escreveu “O Napoleão de Notting Hill”, que inspirou Michael Collins a liderar o movimento pela independência da Irlanda. Seu “O Homem Eterno” levou o jovem C.S. Lewis a se converter ao cristianismo. E Mohandas Gandhi, quando visitou Londres, declarou que seus ensaios o motivaram a iniciar o levante contra o domínio colonial britânico.
Conta-se que, contratado para escrever um livro sobre Tomás de Aquino, recebeu uma pilha de todos os livros escritos sobre o tema. Abriu o livro do topo da pilha, leu algumas páginas, recolocou o livro no lugar e começou a ditar para a secretária o que ficou conhecido – segundo o erudito tomista Ettienne Gilson – como o melhor livro jamais escrito sobre São Tomás.
Chesterton debateu com paixão e eloquência as tendências e modismos que permearam o século 20: o materialismo, o determinismo científico, o relativismo moral, o agnosticismo. Igualmente argumentou contra o socialismo e capitalismo, demostrando que tanto um como outro têm sido os inimigos da liberdade e da justiça na sociedade moderna. Defendeu o common man, o senso comum, os pobres e a família. Foi ainda um defensor intransigente da beleza, do cristianismo e da fé católica.
Para Dale Ahlquist, essas apaixonadas defesas seriam a razão maior porque GKC não tem lugar nas salas de aula, na mídia e nos debates acadêmicos: “O mundo moderno tem preferência por escritores esnobes, com idéias exóticas e bizarras, que glorifiquem a decadência, que ridicularizam a religiosidade, negam dignidade aos humildes e que consideram que a liberdade não implica em responsabilidades”.
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Gilbert Keith Chesterton talvez seja o escritor mais injustamente desprezado do nosso tempo, pois sua obra é pouco editada e lida e seus ensinamentos não são debatidos em seminários e faculdades. A explicação para isto pode ser a dada por Marshall McLuhan, que sugeriu que os críticos, pensadores e educadores modernos, concluiram ser muito mais conveniente ignorar Chesterton do que dispensá-lo com argumentos, porque argumentar com ele significa perder.

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