img src=”fotos/coluna_eliziario_05_11.jpg” align=”right” border=”1″> Humanos têm forte resistência em reconhecer os próprios erros. Jornalistas são piores. Patrões muito mais. Patrões da mídia, mais ainda. Por isso o gesto de Nelson Sirotsky (foto) ao assinar um texo desculpando-se com o leitor pelos erros das pesquisas eleitorais e cumprimentando o Correio do Povo pelo acerto é, por várias razões, exemplar e merece registro. Sabe-se que a RBS não tem instituto próprio de pesquisas, mas para quem compra seus jornais, ouve suas rádios e assiste às suas TVs isso pouco importa. Ao encomendar e publicar levantamentos do Ibope, da Cepa/Ufrgs ou seja de quem for, a empresa está de certa forma endossando os resultados. A imprensa existe para isso, para selecionar as informações mais importantes, decifrá-las, interpretá-las e vendê-las ao leitor. Portanto, pedir desculpas é uma atitude até lógica, mas isso não diminui o impacto positivo da iniciativa.
Foi bom também para colocar um freio nos chamados “comunicadores”, profissionais que não são classificados meramente como jornalistas por serem mais do que isso, ou julgarem ser, aos quais é concedido o privilégio, entre vários outros, de dizerem o que bem entendem, enquanto os “mortais” das redações comem poeira nas estradas, fazem plantões nos horários e dias mais indigestos, sofrem toda espécie de pressão, ganham bem menos e ainda não podem emitir opinião. Muito justo que as pretensas estrelas do jornalismo sejam cobradas de vez em quando. Especialmente porque cultivam o péssimo hábito de exagerar no tom de voz sobre temas que não são assim tão cristalinos, e aí quem paga o pato é a empresa. É ela quem acaba sendo julgada pelo público. O malogro das pesquisas pode servir para fazer com que os mais exaltados baixem o tom, no benefício de todos, especialmente dos consumidores de notícias.
Este texto, ao contrário do que foi assinado pelo Nelson, não se destina a mandar recados a este ou aquele “formador de opinião”. Falo em termos conceituais. Serve para a RBS, serve para os demais veículos, no Rio Grande do Sul ou em qualquer outra parte. Além do mais, emitir posições muito incisivas com base em pesquisas é uma rematada tolice. Um ótimo exemplo dentro do próprio grupo é o da editoria de política de Zero Hora, conduzida com isenção e cautela pela Rosane de Oliveira, umas das jornalistas mais competentes e éticas com quem já tive o privilégio de trabalhar. Sigam o exemplo dela e tudo acabará bem. Pesquisas são referências, não fatos.
O Correio acertou na mosca. Podia ter errado, afinal, pesquisas são sempre falíveis? Podia, mas não errou e, portanto, está de parabéns. Faz bem a RBS em reconhecer o mérito alheio. Aquela coisa comesinha do “nós contra eles” pode motivar as equipes na briga pelo mercado, mas não deve ser levada muito a sério. A cobertura eleitoral da RBS teve seus méritos. Neste item, no entanto, o Correio levou a melhor.
Quem conhece o Nelson Sirotsky sabe que não lhe doeu tanto assim assinar aquele texto. Doeu-lhe muito mais ter assistido aos disparates de alguns funcionários. Repito: falo em termos conceituais, nem assisti aos excessos em questão, embora possa imaginá-los. Nelson teve a humildade que muitos subordinados recusam-se a ter. Sua imagem não foi diminuída por isso. Ao contrário. O público, que não conhece os bastidores, as implicações, os recados e outras minúcias do exercício jornalístico, tampouco integra fileiras xiitas, certamente aplaudiu. Humildade faz bem à mídia. O chefe deu o exemplo. Sigam-no.
Dedicado a Nelson Sirotsky

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