
Um dos maiores poetas da lingua portuguesa, que foi capaz de emocionar – e ainda continua emocionando – pessoas e gerações, se questionava:
“Eu tenho muitas idéias e razões,
Mas nunca chego aos corações…”.
Quando escreveu estes versos, Fernando Pessoa não realizava, nem de longe, o alcance de sua poesia nem a importância que lhe reservava a literatura portuguesa. O poeta morreu em Novembro de 1935, com apenas 47 anos de idade. Internado com crise de cólica hepática, continuou compondo versos no leito do hospital. Aparentemente, ainda sem alimentar ilusões sobre o legado de sua obra. Como sugere a frase que rabiscou um dia antes de falecer:
“Não sei o que o amanhã me trará”.
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O reconhecimento da poesia de Fernando Pessoa foi tardio e até mesmo tumultuado, mesmo nos meios intelectuais portugueses. O imenso volume de sua obra e o fato de publicar verso e prosa sob diversos heteronônimos criou um verdadeiro quebra-cabeças para biógrafos e herdeiros culturais.
Sòmente algum tempo depois de sua morte – discreta e quase desapercebida – Portugal tomou ciência de seu extraordinário legado poético. Foi quase por acaso, quando encontraram um baú repleto de notas e apontamentos no apartamento onde ele morou no Campo de Ourique. Continha mais de 27 mil poemas e textos, a maior parte nunca publicados e assinados por quatro poetas diferentes. A descoberta provocou uma verdadeira comoção nos meios culturais de Portugal, levando os críticos a nomeá-lo “O maior poeta português do Século”. O que nem de longe refletiu uma confissão de 1932:
“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor.
A dor que deveras sente”.
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