De uns tempos para cá, começaram a aparecer nas redes sociais postagens de pessoas, normalmente jovens e de outros estados, divertindo-se com o linguajar popular próprio do cotidiano dos gaúchos. Expressões como “jaguara”, “bagual”, “guri de merda” ou “piá de bosta”, “cagar a pau”, “abichornado”, “peleia” e o “bah”, com seus variados significados, são pronunciadas com todos os sotaques de outras paragens e até atenuam um pouco a aspereza do nosso dialeto, um português contaminado pelo guarani e o castelhano e, mais tarde, pelos falares dos imigrantes que aqui chegaram, notadamente italianos e alemães.
Em tempo de Semana Farroupilha – que dura um mês! – esse “gauchês” aparece com mais frequência agora, especialmente a expressão que causa mais estranheza e boas risadas dos visitantes, o “me caiu os butiás do bolso”.
Os termos regionais não são exclusividade do RS, mas se reproduzem em cada estado, sobretudo naqueles com culturas tradicionais e bem consolidadas, expressando o jeito de ser e de se relacionar da população.
A filologia, que é o estudo da linguagem, deve ter explicação melhor e de viés acadêmico para esses falares de casa região. Já eu me limito a estranhar o estranhamento, que quem acha estranho o regionalismo nosso de cada dia. Afinal, nós estamos tão acostumados a ele, que tudo parece tão natural. Estranho pra nós é o falar deles, como o paulista que abusa do “meu” e do “mano”, o “parça” que está se espraiando, assim como o “bugado” sobre alguém que está perdidão, “se pá” (talvez), “dar pt” (perda total) , “zicar”, (colocar olho grande), e o carioquês que, pela programação da TV, espalhou pelo país o “mermão” , o “fala sério”, o “tipo assim”, o “ficar de boa” e a “treta”, ou a fala do mineirinho além do “uai” (o bah deles) e do “trem” (coisa, objeto, assunto), com os “demais da conta”, “procê”, borocoshó / borocoshow” (bagunça, confusão, situação desorganizada), sem falar nas baianidades, como “ó pai ó” (ou “olhe pra isso, olhe”), “meu rei” (meu amigo), “oxente” ou “oxe” (demonstra surpresa ou indignação) e “´É niuma” (está tudo tranquilo).
Ao mesmo tempo em que se surpreendem, até com certo encantamento, diante das expressões típicas do RS, os brasileiros que aqui aportam reconhecem a hospitalidade dos gaúchos e logo aderem ao chimarrão e ao churrasco e, entre um “bah” e outro, em seguida estarão falando em “chimas” e “churras”.
Enquanto isso, a cultura gaúcha será exportada para os EUA, com exibição nos telões da Times Square de paisagens e símbolos riograndenses. Haverá mateada aberta ao público no Dia do Gaúcho, o 20 de setembro. Nesta sexta-feira deve ocorrer o acendimento da Chama Crioula. A iniciativa é da tradicionalista Valéria Lessa e o objetivo é fomentar o intercâmbio cultural e dar visibilidade internacional ao turismo e as manifestações tradicionais do RS em um dos pontos mais movimentados do mundo. É o caso de dizermos, deixando a modéstia de lado, “sirvam nossas façanhas de modelo a toda a Terra”. Só falta uma versão do Acampamento Farroupilha em pleno o Central Park.,


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