“Existem apenas dois tipos de mulheres: deusas e capachos.” (Pablo Picasso)
Nenhum artista, pintor ou escritor do século XX chegou a seus pés no quesito “conquistador de belas mulheres “. Nem os inveterados mulherengos Amadeo Modigliani e Ernest Hemingway, pois nenhum retratou suas amantes com maior paixão e talento do que o Señor Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Martyr Patricio Clito, mais conhecido como Pablo Picasso.
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Não se sabe exatamente quantas mulheres ele amou e dominou. Nunca estava satisfeito com o que pintava – e, aparentemente, logo se cansava da mulher que tinha a seu lado. Mas isto não o impediu de viver grandes paixões ao longo de seus 92 anos de vida. As biografias oficiais registram oito mulheres, incluindo as duas esposas legítimas, Olga Khoklova e Jacqueline Roque. De acordo com as crônicas mundanas da Belle Époque, tudo começava com um galanteio:
“- Señorita, mucho me gustaría hacer su retrato.”
Foi assim em uma noite de 1904, em Paris, quando o pintor cruza com uma bela jovem usando um extravagante chapéu. Seu nome era Fernande Bellavallée, filha de um artesão que trabalhava com flores e plumas artificiais. Foi amor à primeira vista. No dia seguinte, a dupla faz sua aparição no Le Lapin Agile, o famoso cabaré de Montmartre que, na virada do século, era mais conhecido como Le Cabaret des Assassins.
Durante sete anos, Picasso usa Fernande como modelo em belos desenhos e aquarelas. A obra permanece, mas a relação termina e o pintor procura consolo com Eva Gouel, que servirá de modelo para os primeiros ensaios cubistas.
Em 1918, ele conhece sua primeira esposa, Olga Khoklova, filha de um coronel russo e dez anos mais jovem. Apesar do aviso do amigo Diaghilev (“Cuidado com as russas, Pablo”), eles ficam juntos por 10 anos. O rosto de madona de Olga é inspirador e ele produz alguns dos mais impressionantes portraits de sua carreira.
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Em janeiro de 1927, Pablo Picasso passeia nas Galeries Lafayette e nota uma graciosa loura de 17 anos, de claros olhos azuis. Ele se apresenta:
“- Señorita, yo soy Picasso y me gustaría hacer su retrato.”
Marie-Thérèse Walter se rende de imediato ao feitiço do galante espanhol. Alguns de seus retratos se transformariam em peças marcantes da pintura cubista. Eles têm uma filha, Maya, o que não impede Picasso de se apaixonar novamente. Os olhos azuis e rosto marcante de Marie-Thérèse logo passam a disputar com uma nova personagem as atenções do mestre. Chegou a sedutora Dora Maar, pintora e fotógrafa, que fala espanhol fluentemente. Sua aura trágica fascina Picasso, que a retrata de forma torturada e deformada.
As pinturas Femme assise dans um jardin, de 1936, e o Portrait de Dora Maar, de 1937, são dois exemplos célebres de sua melhor fase cubista. Dora Maar faz fotos históricas dele, enquanto pinta o mural Guernica, que denuncia ao mundo os horrores da guerra civil na Espanha. Os dois permanecem juntos por 8 anos.
Em 1943, o ator Alain Cuny apresenta a Picasso a morena e esbelta Françoise Gillot. Ela tem 21 anos e Picasso está celebrando seus 62. Começam uma relação tumultuada e geram Claude e Paloma, esta batizada para celebrar a pomba da paz, pintada para a sede das Nações Unidas.
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Em outubro de 1944, enquanto Paris ainda festeja a liberação, Picasso conhece a jovem Geneviéve Laporte. Ela fica encantada com o charme do grande mestre, mas viaja para os Estados Unidos. A dupla volta a se encontrar em 1951 e nasce uma nova (e breve) estória de amor. O ciclo de belas e inspiradoras musas de Pablo Picasso se encerraria com Jacqueline Roque. Quando se encontram, em 1953, ele tem 72 e ela 27 anos. Mudam-se para a Côte d”Azur, onde vivem felizes por 20 anos. Ele a pinta de forma incansável, produzindo uma série fantástica de retratos e desenhos.
Em abril de 1973, Picasso morre em Mougins. Ele tem 92 anos e enquanto agoniza, um grande temporal cai sobre a Côte. Jacqueline proibe a entrada dos amigos e familiares no cemitério. As tragédias então se sucedem – um neto tenta o suicídio, o filho Paulo morre de cirrose e, em 1977, Marie-Thérese Walter se suicida. Nove anos mais tarde é a vez de Jacqueline Roque, que se mata com um tiro na cabeça. O imenso e bilionário acervo do mestre provoca disputas ferozes entre os herdeiros, a tal ponto que o poeta Rafael Inglada, amigo do pintor e estudioso de sua obra, escreve:
“- Se era um inferno viver com Picasso, foi insuportável viver sem ele.”


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