Colunas

O global e o local

É freqüente, quando se começa a discutir a concorrência de uma empresa, a exemplificação através de modelos óbvios. A Ambev concorre com a Coca, …

É freqüente, quando se começa a discutir a concorrência de uma empresa, a exemplificação através de modelos óbvios.

A Ambev concorre com a Coca, a GM com a Ford, o Carrefour com o Pão de Açúcar.

É provável que, considerando o aspecto estratégico e, portanto, o raciocínio em um prazo mais longo, estas empresas citadas estejam, realmente, no foco das preocupações.

Entretanto, se pensarmos no crescimento da acessibilidade à tecnologia e aos mercados em algumas indústrias, perceberemos a queda das barreiras de entrada nas mesmas, oportunizando a crescente ação de competidores de menor porte.

Na indústria de refrigerantes brasileira, além de constatarmos a rivalidade em todo o País entre Ambev e Coca-Cola, veremos também, atuando regionalmente, mais de uma centena de pequenas companhias, cada uma em um espaço geográfico específico, “consumindo” uma parcela deste mercado. A embalagem PET foi a grande propulsora deste processo.

Na indústria da construção civil, desde o desaparecimento da Encol, não há mais empresas de atuação nacional. A tendência é pela concorrência estratégica entre um pequeno número de empresas em cada cidade.

Grandes empresas nesta indústria, no entanto, devem preocupar-se com seus competidores de características semelhantes no longo prazo, porém não podem descuidar dos players de porte muito pequeno. Muitas vezes, uma grande construtora, ao fazer um lançamento em uma determinada rua, acaba competindo com um outro projeto em um terreno próximo que se trata de uma primeira incursão de um grupo de investidores na incorporação imobiliária. Muitas vezes, nesta competição, não há maiores vantagens da grande construtora.

Estas empresas de atuação em um escopo menor buscam os recursos financeiros dos compradores com desvantagens e vantagens decorrentes de seu tamanho, afetando a rentabilidade da indústria como um todo.

Para uma empresa de grande porte, decidir investimentos de grande impacto e manter-se no estado da arte da indústria são imprescindíveis conhecer seus concorrentes diretos e de dimensão parecida. Entretanto, para pensar o fluxo de caixa e o curto prazo em indústrias com barreiras de entrada relativamente baixas é fundamental dominar o modus operandi das empresas menores.

É preciso pensar globalmente, mas agir localmente.

Autor

André Arnt

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.