“ Se pudesse dizê-lo em palavras,
não teria razão para pintar.”
(Edward Hopper)
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Os críticos dizem que o tema dominante na pintura de Edward Hopper é o prosaico, o cotidiano, o corriqueiro. O espectador casual de seus quadros verá cenas que poderiam ter saído de um álbum de família ou das páginas de uma revista ilustrada. Mas outro, mais atento, perceberá o silêncio dos personagens que, mesmo próximos, são distantes e, decididamente, solitários.
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Edward Hopper fotografava de forma implacável o cotidiano das pessoas, ao tempo em que o som dos discos, do rádio e do cinema começava a invadir a vida dos lares norte-americanos. Não por acaso, seus biógrafos registram que ele lia com avidez os estudos psicológicos de Sigmund Freud. Sua pintura tem fragmentos da solidão de figuras anônimas, que olham pelas janelas, perdidas em seus pensamentos. E nos fazem imaginar a vida desses personagens que não se comunicam, mas enfrentam os apelos ao consumismo.
O mundo criado por Hopper mostra paisagens melancólicas, sob uma luz estranha, com cores que lembram os impressionistas franceses. Que podem ter sido inspiradas em Claude Monet ou mesmo em Vincent Van Gogh. Alguns apontam em Nighthawks seu quadro mais famoso, de 1942, um divisor de águas na obra de Hopper. Ele começou a pintá-lo em janeiro daquele ano, quando os Estados Unidos estava sob o impacto do ataque a Pearl Harbor e diante da ameaça de uma nova Guerra Mundial.
Poucos meses antes, em New York, Hopper visitou uma exposição de pintura impressionista, onde se encantou com Le Café de nuit a Place Lamartine, de Van Gogh. As cores fauvistas e a iluminação nas duas pinturas são similares, mas o estilo de Hopper vai além, quando cria uma atmosfera de vazio e solidão. Ele busca os vazios nos balcões de bares e lanchonetes, nos hotéis baratos, em postos de gasolina de estrada, nas ferrovias e nas ruas desertas. As imagens de homens e mulheres comuns sugerem vidas tristes e patéticas, como a leitora de Hotel Room, o casal de Room in NY, as mulheres no café de Chop Suey, os pescadores de Ground Swell ou a jovem tristonha de Morning Sun.
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Podemos até dizer que os poucos fregueses da lanchonete de esquina no emblemático Nighthawks são um resumo da tragédia americana vista por Edward Hopper. Ali estão cores e figuras bem marcadas, o ambiente de solidão e de tristeza. Vemos uma rua vazia lá fora e no interior, no balcão, três clientes, mas nenhum deles conversa com os demais. Estão distraídos, perdidos nos seus próprios pensamentos – um casal e um terceiro homem, sozinho, sentado de costas para o espectador. De boné e uniforme branco, o funcionário olha para fora, ignorando a presença dos clientes. Pairando sobre tudo, a iluminação noturna acentua a sensação de melancolia e confinamento. As paredes do restaurante formam um triângulo na esquina, com vidros transparentes nos dois lados. Um vazio contendo vidas vazias? Personagens que poderiam figurar em An American Tragedy, o clássico de Theodore Dreiser. Pois para Hopper, no sonho americano existe espaço apenas para o mistério e para o silêncio.
Em dezembro de 1956, a revista TIME publicaria uma reportagem de capa, onde assim resume o paradoxo Edward Hopper:
“Ele é um artista fácil de ler, mas que, ao mesmo tempo, permanece fora de nosso alcance.”


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